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nós por nós

Um diário compartilhado entre duas irmãs


Por muito tempo achei que poderia salvar vocês, por anos eu perdoei, eu acreditei mesmo que poderiam mudar, mas que engano não é mesmo? Não salvo nem a mim mesma.

Um dos principais motivos de eu renunciar minha vontade e meus planos foi por querer ajudar. Quando voltei pra igreja eu tinha um propósito, achei que renunciando a mim eu conseguiria mudar vocês, pensei que se eu orasse com fé vocês iam voltar, eu jurei mesmo que isso era possível. Eu cheguei a me culpar por não estar orando o bastante ou me dedicando o bastante para que fossem salvos, eu chorei por dias por isso, mas eu queria tanto minha família de volta que nem percebi que o problema não estava comigo ou com Pai, estava com vocês.

Não é igual demônio que a gente expulsa, não é igual uma ferida que cicatriza, é algo que vem de dentro e isso infelizmente não consigo modificar.
Eu sonhei por anos com o dia que todos sentariam em volta da mesa novamente, eu pedia união, que a paz voltasse, mas ela não depende só mim, eu não consigo sozinha e eu me questiono por que ninguém me ajuda... Ninguém percebeu que está tudo diferente? Ninguém notou que só eu estou segurando a corda?
É doloroso ver vocês assim, ver que escolheram isso, que me abandonaram e que não irão me proteger dos monstros, por que os monstros são vocês.
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É horrível se sentir tensa o tempo todo.
É horrível ter que fingir que tudo está bem.
É horrível não conseguir se sentir suficiente.
É horrível acreditar que está atrasada em todos os aspectos.
É horrível se sentir contra o tempo.
É horrível não saber explicar o vazio que está aqui dentro.
É horrível ver pessoas preocupadas comigo.
É horrível ter que envolver as pessoas nisso.
É horrível não sentir mais prazer em nada.
É horrível não conseguir parar de pensar nem por um minuto.
É horrível ter crises e ir chorando pro serviço.
É horrível ter que continuar carregando esse fardo.
E horrível ter que continuar viva.


Joyce Netto
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Eu queria dizer que quando olho nos seus olhos sinto meu coração bater mais forte e meu corpo se aquecer como num primeiro dia de verão.
Eu queria te dizer que quando você se aproxima o mundo todo ao redor pára, sem cor, desfocado, lento.
Eu queria te dizer que cada vez que você passa nossa música toca, e acontece alguma mágica que me faz sorrir feito boba e sem parar.
Eu queria te dizer que quando ouço sua voz é como se os anjos falassem, como se algo em mim se curasse e a dor cessase.
Eu queria te dizer que quando você me toca, o mais simples que seja, um aperto de mão, eu sinto como se o mundo entrasse em colapso, o chão se abrisse, e eu desabasse.
Eu queria te dizer tudo que não disse.
Eu queria ter a chance de te mostrar o efeito que você causa em mim. Quando perco a fala, perco os sentidos, esqueço até meu nome.
Eu queria te dizer que eu sentia, de verdade, mesmo não conseguindo por em palavras, que eu e você só teríamos sentido juntos.
Eu queria ter lutado por isso.
Eu queria ter tido coragem de segurar sua mão e não te deixar ir.
Eu queria impedir que você sofresse. Ou que doesse. Eu queria.
Eu queria você, do seu jeito, no seu tempo, com todos os seus trejeitos e defeitos, com todas as suas manias e esquisitices.
Eu queria que tivesse ficado, mesmo quando eu pedi pra você ir.
Eu queria que você quisesse. Mas que dissesse, porque eu não sabia dizer.
Eu queria você como ninguém jamais quis outra pessoa.
Eu queria não ter perdido, por esse medo e esse orgulho em não dizer 'fica'.
Eu queria ter escrito uma canção de amor, ou um poema sobre você, quando ainda eramos nós.
Eu queria não querer mais, não desejar mais, não buscar mais, quando tudo que eu precisava já estava aqui.
Eu queria me desculpar por ser egoísta, por te amar pela metade, você não merecia.
Eu queria ter te respondido, correspondido.
Eu queria ter sido pra você tudo que foi pra mim.
E hoje, quando nada mais pode ser dito, sentido, lido, vivido eu sinto a dor de não ter sido. A dor de não ter dito. A dor de não ter vivido. E talvez mais cruel ainda seja a dor de nunca ter sentido.


-Desirre
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"Eu ainda lembro de nós.
Ainda lembro do que sentia ao te buscar no trabalho, aquele nervoso gostoso só pra ver sua reação ao ver a rosa na minha mão e o sorriso no meu rosto.
Ainda lembro do toque da sua mão na minha e a preocupação que eu tinha em ficar mais focado no seu toque do que na rua enquanto dirigia. Lembro também do seu olhar que penetrava a minha alma por saber que você estava ali ao soltar aquele sorriso no canto da boca que me dizia o quanto estava louca pra me dar um abraço apertado e aquele beijo molhado que só você sabia me dar.
Pior que eu ainda lembro de todas as musicas que ouvíamos, de todos os lugares que fomos, de todas as conversas, todos os planos, de todo o amor que eu tinha por você e toda a dor que foi te ver partindo sem sequer pensar em tudo que vivemos. Lembro quando me deixou, sem olhar pra trás e lembro quando pediu para nunca mais falar sobre o passado, sobre o que vivemos, o que sentimos e o que nos prometemos. Lembro quando fez por outro aquilo que eu quis fazer por você, quando recebeu de outro o que eu te prometi dar e lembro quando procurou em outro abraço a segurança eu não te dei, o amor que eu não te dei, os beijos que não te dei.
Talvez eu só tenha sido um momento, uma prova de que sim, o amor se engana e que muitas vezes nos vemos com peneiras enquanto o amor se desfaz em pó e vemos ele passar entre nossos dedos e não podemos fazer nada.”
                                                        -CB

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É sempre na madrugada que vem a inspiração ou a necessidade de escrever.
Talvez pelo silêncio, a sensação de solidão mais aflorada, a movimentação ininterrupta dos pensamentos... Talvez todo esse clima melancólico que a madruga traga me deixe mais sensível ou me dê mais tempo de refletir sobre a minha situação.
Todos os dias eu faço um esforço pra me manter bem. Eu tento, tento de novo, mas nunca parece ser o suficiente. Sempre falta alguma coisa. Sempre me sinto esgotada e frustrada.
É estranha essa avalanche de sentimentos, essa necessidade de proteger meu eu frágil e não demonstrar essa fragilidade para as pessoas, mas me mostrar como sou vulnerável quando escrevo. É difícil demais. É doloroso.
E por mais que pareça fácil me ver sorrindo, fazendo piadas, sendo leve, dentro de mim tudo é denso e cinza. Não existe essa alegria. Essa é a minha barreira. Por dentro eu sou uma bagunça, grito, desespero. E eu não consigo externar.
Mas na madrugada sou só eu. Nem os gatos, nem os travesseiros conseguem amenizar a dor de não se sentir suficiente. A dor de não conseguir realizar o mínimo. A incapacidade de ter empatia com a minha própria história.
Na madrugada os pensamentos são como pedaços de cacos de vidro que vão entrando na pele, ao poucos e rasgando ela toda por dentro, e a energia são as lágrimas escorrendo dos meus olhos, me deixando cansada, sem ânimo, desidratada.
Escrever é a minha terapia, é como tirar de mim toda essa coisa ruim, toda essa dor. É como botar num saco preto todo esse lixo acumulado no meu peito. Toda essa frustração e essa expectativa irreal, inalcançável.
E mesmo que eu saiba que preciso ser paciente comigo mesma, que preciso ter mais respeito e amor pela minha história, respeitar todo a minha luta até aqui, ainda assim, é difícil querer continuar.
Mas eu continuo, até onde meus pés aguentarem...


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Eu descobri que não preciso ser forte todos os dias.
Levou muito tempo até que eu conseguisse desabar.
Levou mais tempo que eu pude prever.
Doeu.
Machucou mais do que eu podia aguentar.
Mas eu desabei.
Enfim, eu chorei.
Gritei por socorro, até a voz calar rouca.
Me abri e contei aos quatro cantos tudo que eu sentia, que antes descia como ácido pela minha garganta.
Mas falar não me fez mais fraca, mais forte ou mais incrível. Nem mais amada. Nem menos triste.
Nem mais leve.
Só mais eu.
Só mais vazio.
Só mais perguntas.
Sem mais sentido.
Igual esse texto, que não tem a pretensão de ser um poema, nem o desejo de ser uma parábola.
É só um texto. São palavras.
É o que sinto. Confuso mas sentido.
Doloroso mas entendido.
Só mais um texto. Mais um tempo. Mais um só.
Era eu, só.
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É horrível a sensação de estar morta mesmo em vida.
É horrível se torturar lembrando de cada palavra dita e cada ação tomada.
É horrível se sentir culpado por coisas que você nem fez.
É horrível não se sentir suficiente pra nada nem ninguém.
É horrível querer gritar e continuar calada, pois já não tem mais voz.
É horrível querer chorar e lhe faltar lágrimas pra isso.
É horrível estar rodeada de pessoas e sentir sozinha.
É horrível querer fazer diferente, mas estar cansada demais pra isso.
É horrível dormir e não conseguir descansar.
É horrível querer sumir, mas pensar em todos que estão a sua volta.
É horrível sentir um vazio e nada preencher ele.
É horrível não conseguir se amar e se sentir insegura o tempo todo.
É horrível sentir medo de tudo e todos.
É horrível não conseguir sentir prazer nas coisas que gostava de fazer antes.
É horrível estar na minha pele, mas não conseguir ser protagonista da minha vida.
É horrível ver as pessoas ao seu redor e não conseguir pedir ajuda.
É horrível querer viver e continuar morta.

Joyce Netto.
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Mais um embuste sendo exposto, me tirando da inércia.
E qual seria a novidade da vez?
Homens que não respeitam e não entendem quando uma mulher diz não?
Tá, mesmo não sendo novidade vamos falar sobre sexo CONSENSUAL. Isso, em caps que é pra dar ênfase.
Pra resumir, o dito grava um vídeo com os amigos (entra aqui o ditado da vó de que me diga com quem andas e te direi quem és), contando uma situação íntima com uma ex namorada. Eles estavam em uma chácara, ela bebeu, ficou cansada e quis dormir. Ele estava agitado e excitado, e decidiu que ia tentar tirar a roupa da garota, mesmo após ela ter enfatizado que não ia rolar ( o embuste mesmo deixa isso claríssimo no vídeo), e penetra a garota enquanto ela dormia.
Vamos explicar pra quem não entende o quanto isso é errado, e alguns porquês.
Primeiro a garota está cansada, bêbada, dormindo, ela deixou claro que não estava a fim. Não é não.
Segundo a existência de um relacionamento não obriga nenhuma mulher de ceder a insistência ou às investidas insistentes de seu parceiro. Ceder por cansaço, se sentir desconfortável durante a prática e querer parar é um direito de toda mulher e deve ser respeitado.
Ceder por tesão mas perder a vontade durante, ou não se sentir bem, e querer parar também é direito seu.
Ceder por obrigação, por ter compromisso afetivo mas sem nenhuma vontade caracteriza abuso.
Insistir, tentar incansavelmente, mesmo a pessoa dizendo não, e forçar a barra é abuso.
Fazer sexo por penetração ou oral sem consentimento é estupro. Isso mesmo estupro.
Não importa se existe um relacionamento entre as partes, não importa se no começo houve um sim, não importa se foi a iniciativa dela, não importa se ela não foi mais agressiva ou efetiva em tentar sair daquela situação. A partir do NAO fica caracterizado abuso ou estupro.
Explicado isso, vamos falar sobre a naturalização do abuso e da cultura do estupro.
Há muito tempo atrás nós mulheres fomos doutrinadas a servir. Seja em casa, no trabalho ou em qualquer relação, sempre fomos ensinadas a agradar, a não ser muito difícil, fomos ensinadas a tolerar esse tipo de situação calada.
Eu mesmo já passei por isso. Já fui acordada várias vezes sendo tocada por um companheiro, algumas vezes só acordei na penetração. Algumas vezes me sentia desconfortável mas acabava fazendo. Um dia não me senti confortável e me neguei. E não houve insistência. Não houve mais essa abordagem. Mas essa não é a realidade da maioria das mulheres, que sofrem a pressão de terem relações pra "preservar a fidelidade" de seus companheiros.
E isso é tão errado, mas durante gerações era ensinado de mãe pra filha como forma de manter seus casamentos.
Temos que aprender a tomar posse de nossos corpos, nos entregar quando for de vontade mútua, aprender a não nos colocarmos em situações de riscos, aprender a nós defender e não nos sujeitarmos a esse tipo de relação.
Voltando ao vídeo, pior que ele só a explicação do dito, alegando que exagerou e que inventou a tal situação. É isso torna ainda pior.
O homem está tão acostumado com o fato de ser dominante que ridícularizar e inventar coisas sobre a intimidade de uma mulher pra ele nada mais é que piada, brincadeira entre amigos.
E com toda essa situação ainda levantam questionamentos sobre a moça que sofreu o abuso.
Somos pessoas diferentes e reagimos de formas diferentes. Algumas nesse tipo de situação ficam sem reação. Não julguem, não questionem a vítima.
Sejam donas de seus corpos e de suas mentes. Uma relação deve ter o respeito como base, a confiança. Não se entreguem nem se submetam a tipos como esse.
Empoderem- se, cuidem- se, protejam- se. Por que no fim, somos só nós por nós mesmas.
Lutem pela justiça e pela liberdade de ser mulher.

Obs.: O vídeo já foi retirado do canal, mas está disponível em páginas no facenFac, como a Quebrando o Tabu, caso queiram e tenham estômago. 

ESTE POST NÃO TERÁ IMAGEM PORQUE NÃO COMPACTUAMOS COM ESTUPRO E NÃO REPRODUZIREMOS A IMAGEM DE ESTUPRADORES. NÃO FOMENTAREMOS ESSA POLEMICA PARA PROMOVER ESSE TIPO DE PESSOA. 

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Muito se fala
Tudo eu ouço
Em silêncio eu sofro
Há tanto desgosto
Que meu rosto
Já não esconde
A dor e o gosto
Das lágrimas ao roxo
Num canto me encolho
E peço baixinho, que eu seja solto
Que nesse envolto
Eu me encontre
E seja livre para ser alguém novo. 

- Joyce Netto
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Já se passou quase uma semana desde a volta dela, e ainda fico emocionada de pensar na sua força e na felicidade dessa realização.
Eu me vi através dela. Livre, corajosa.
Sabia que ela tinha seus medos mas a determinação em seguir um sonho gritava em seu peito.
Eu, irmã mais velha, não me cabia mais dentro de mim. Parecia que meu coração sairia do corpo e ia na mala...
Ela partiu, enfrentou o medo de avião, a crise da primeira noite fora de casa, e se divertiu.
Se divertiu, fez amigos, descansou, viveu.
Cada minuto ali, cada cantinho, cada foto era um troféu.
Ela foi. Por sete dias, sozinha, atravessou metade do país.
Que orgulho.
Eu sentia saudades, mas nada era maior que a felicidade de vê-la conquistando, desbravando, conhecendo, curtindo.
Minha irmã, meu bebê.
Que orgulho.
Ela voltou e a luz emanava.
Ela conseguiu.
Sozinha, com medo, com vontade de ganhar o mundo.
Ganhou vivências, espaço, abraço.
Voou.
Voltou.
Agora ela não tem mais raízes, trocou por asas...


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Esse texto não é uma resenha, resumo, nem algo do tipo.
É a visão de uma pessoa diagnosticada com síndrome do pânico e transtorno de ansiedade generalizada por um profissional. É a visão de alguém que tem diversas crises, mas que tem uma consciência sobre elas e consegue se manter sem medicação em 90% das situações.
Essa é a visão de uma mulher adulta, de 30 anos, que tem uma filha próxima da fase da adolescência.
Essa é a visão de alguém que já viu amigas morrerem de anorexia, transtorno de imagem, suicídio, depressão profunda.
Eu li um texto há poucos minutos que me chamou a atenção pelo desespero e pelo teor de revolta com a série e seu conteúdo, nesta segunda temporada.
Eu não me recordo se escrevi sobre a série quando lançou, eu sei que deveria ter verificado, mas acredito que não dá pra falar de uma temporada isoladamente, então peço perdão de antemão se eu for redundante.
Vamos lá.
A série fala sobre suicídio, bullying, álcool, drogas, abuso sexual, físico e psicológico, dentro de um colégio e fora dele.
Muitas pessoas acharam a série um desserviço, tóxica, instigante e não um alerta.
Eu vejo de outra forma. Reforço, Eu.
Nunca se falou tanto sobre suicídio e abuso quanto se fala desde a série entrar em cartaz.
Claro que eu concordo que há cenas muito explícitas, mas suicídio não é responsável.
Concordo também que pessoas que têm maior sensibilidade ou que estejam em um grau maior de depressão ou que tenham sido vítimas de qualquer um dos abusos relatados na série deveriam se poupar.
Vi a série como um alerta do que acontece quando a gente tem problemas e não procura ajuda, ou procura mas não consegue ser claro, ou tem medo, ou não procura ajuda no lugar certo. Transtornos psicológicos devem ser tratados por profissionais. Pais, professores, amigos não saberão nunca como lidar, e podem até piorar a situação de alguém com esse quadro. Então a mensagem que tá ali gritando é sempre procure ajuda de um profissional.
Há quem diga que o suicídio da Hanna, personagem principal, tenha sido um passo a passo de como se matar e eu acho que em 2018 é muito clichê fazer tão acusação.
Temos sites, blogs, comunidades, grupos, seitas, etc, nessa imensidão que é a internet com descrições e incentivos bem maiores, a um clique de qualquer criança, adolescente, adulto.
O que me toca na série é que como mãe, eu acredito que todos os pais deviam assistir. Primeiro porque não somos perfeitos e muita coisa passa batido na correria dos dias, segundo porque a gente precisa ser mais empático e solícito com nossos filhos. Terceiro porque nós somos responsáveis por eles e por orientar e  educar pra que eles aprendam a se manter seguros e não se colocarem em situações de risco.
É fácil falar, escrever, mas crianças e adolescentes são curiosos. E a série abriu um precedente pra responsabilidade emocional e afetiva, além de ter aumentado a procura nos canais de apoio a vida. Isso não deve ser ignorado.
As críticas foram pesadas, e por meses o assunto era esse.
Isso foi ótimo. Nos abriu pra debater uma questão que era um tabu.
Chegamos a segunda temporada. Com muitos mais avisos sobre os gatilhos. Com dois capítulos especiais comentando essas questões com os atores. Com informações importantes. Uma temporada morna, contando como as pessoas ficaram pós trauma. Algumas fingindo que nada aconteceu, outras procurando justiça, outras tentando se manter de pé. A realidade chega aí. Que se matar não deixa as coisas melhores, não muda o mundo. Conscientização de realidade. Esse grupo que era disperso e que se acusava, se ajuda. Ajuda esclarecer e busca justiça, de forma irresponsável novamente, mas são adolescentes, que se acham os donos destinados do mundo.
E assim a temporada vai se arrastando até o décimo episódio. Onde mais estupros são descobertos, mais abusos, mais negligências, até que um personagem é abusado por alunos dentro do banheiro, violentamente agredido e estuprado com o cabo de um esfregão.
Ai sim. Desnecessário. Chocante, angustiante, dolorido, triste, revoltante. Podiam ter feito de outra forma, mais leve. Mas a realidade não é leve. A vida não é legal. Não dá pra falar de abuso, de estupro, de violência sem ser cruel.
Não dá pra desenhar pôneis pra falar de suicídio e transtornos mentais.
Vai chegando o final e mais choques: síndrome de Estocolmo, gravidez pós estupro, vulnerabilidade, negação do ato por parte de mais personagens que foram vítimas de um agressor em comum.
Agressor este que não recebe condenação justa. Que sai quase ileso por sua influência e posição social (alguma semelhança com a realidade?).
Personagem utilizando drogas pesadas,  no fundo do poço, sendo ajudado, mas não consegue se manter limpo. Mais realidade.
Jovem abusado busca justiça com as próprias mãos, planeja massacre no baile da escola. Outra realidade. Adolescente com síndrome de herói, se colocando na frente de um fuzil, querendo salvar alguém de si mesmo.
Enfim, a série fala só sobre realidade. Coisas que acontecem todos os dias,  que podem ou não ser evitadas, mas não foram. E não vão.
Porque a verdade é uma só. As pessoas querem criticar uma situação enao resolver.
As pessoas querem falar das intenções da série, chamar de irresponsável, mas na primeira oportunidade que alguém fala que está depressivo soltam a famosa frase de que isso é frescura, falta do que fazer, tempo sobrando.
Fica esse questionamento.
E fica o alerta. Se você passou ou passa por essa situação, não veja a série e busque ajuda profissional e especializada. Seja responsável com sua saúde.
É isso.



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Eu tenho sede de um mundo diferente!
Eu queria contar pra essa gente
Que o amor preenche
Que torna tudo eloquente.
Eu tenho sede de um mundo diferente!
Queria fazer um repente
Mostrar abertamente
tudo que a gente sente.
Eu tenho sede de um mundo diferente!
Em que posso andar tranquilamente
Sem medo de "doentes"
Que abusam de inocentes...
Eu tenho sede de um mundo diferente!
Que eu não seja "forçadamente"
A acreditar nesses delinquentes
Que vestem máscaras de decentes.
Ah, eu tenho sede de um mundo diferente!
E que nele haja incansavelmente
A vontade de usar a mente
E que cure a cegueira que corrompe a gente.
Eu tenho sede de um mundo diferente,
Que possamos debater livremente
Sem censura, sem insolentes
Que matam friamente quem pensa diferente...

- Joyce Netto
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Hoje recebi a visita dos sonhos antigos.
Sonhos esses que nunca realizei na ânsia de querer realizar.
Sonhos que já tinha esquecido.
Esqueci pra não admitir que fracassei, comigo. Talvez com mais pessoas. Mas principalmente comigo.
Já se sentiu assim, como se sua vida fosse uma bicicleta sem freio descendo o morro, e você corre, tenta alcançar, tenta parar e ter controle antes que tudo se espedace, mas você nunca consegue alcançar a bicicleta?
Já se sentiu como se sua vida fosse arrastada de você, como se você não estivesse vivendo, como se tudo fosse só um sonho ruim, e que você uma hora vai ter força pra acordar e ter uma nova chance?
Já sentiu que não é o bastante, aliás, que não é nem metade do que poderia ser?
Já sentiu tudo isso junto, ecoando em vozes na sua cabeça, lembrando diariamente o quão fracassado você é?
E pior, sem poder falar, reclamar, ou dividir essa dor, esse fardo, com alguém. Porque ninguém entende. Todos acham que é coisa da sua cabeça, desculpa, preguiça, incapacidade.
De certa forma é assim que a ansiedade faz a gente se sentir.
Um fracasso, cansado, esgotado, dolorido.
E a gente tenta não se render, tenta ser forte. Mas uma hora a gente cai.
E saiba que isso vai acontecer.
Não somos armadura o tempo todo, e temos que aprender a lidar com esse sentimento ruim, essa agonia. É difícil. Machuca.
Virão dias em que os pensamentos ruins serão ainda piores. E que a única vontade será de dar fim a tudo.
Mas essa não é uma opção.
Presta atenção: essa não é a nossa opção!
A gente passa por processos. No começo é mais difícil. Não tem cura, a gente assusta. Mas aos poucos a gente vai se conhecendo. Identificando gatilhos, sintomas. A gente busca ajuda, trata e aprende a lidar. Algumas vezes as coisas sairão do nosso controle, mas nós saberemos voltar. Só precisamos ter paciência e amor a nós. Amor a quem somos, ao que representamos, ao que vivemos, ao que nos trouxe até aqui, e nos levará ainda mais longe.
Algumas vezes não sairemos do lugar.
Nós sentiremos mais fracos, mais impotentes.
É importante que a gente tenha consciência de que viveremos em uma eterna montanha russa, importante aprender a apreciar a vista e também aquele embrulho no estômago.
Passar por isso diz muito sobre a gente, transforma a gente.
Mas sabe... Pra você pode ser diferente de tudo isso que eu tô dizendo. Talvez mais ou menos intenso, mais ou menos doloroso.
A verdade é que ansiedade não tem regra, rotina, roteiro, paradeiro.
E a coisa mais importante é você saber que não está sozinho, e que buscar ajuda é importante pra mim, pra você, pra nós.
Você não é o que pensam, o que criaram ou o que fantasiaram à seu respeito. Você é mais. Você é especial, de verdade.
Chegar até aqui, passar por tudo, resistir, mesmo querendo desistir, não é nada fácil. Eu te admiro.
Não deixe isso ditar o que e como você vai viver sua vida. Respira. Inspira. Concentra.
Escreve, grava, filma, fala em voz alta, gruta, chora, dorme, se recolhe, sai, acende uma vela, medita. Ou não faz nada.
Mas não deixa ela vencer.
Eu não vou deixar ela vencer.
Ela não vai nos vencer.
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Uma breve pausa no nosso conteúdo dramático e "badlistico" pra contar um pouco do rolê que fizemos ontem, e da importância do suporte emocional, da construção de nós entre outras coisas que eu espero conseguir colocar nesse post sem ser redundante e simplista demais.
A convite da minha irmã, que vocês já conhecem, Joyce, eu e minha filha fomos com ela ver a exposição do Castelo Rá Tim bum, um programa infantil que eu tenho certeza que não preciso descrever, só ressaltar que foi um dos programas mais maravilhosos de toda a minha infância.
Preciso contar que quando ela me chamou, tive algumas crises de ansiedade, fiquei os dois dias anteriores da data sem dormir, comi mais que o normal, planejei mil vezes na cabeça como adiar e como antecipar aquele passeio, coisas da auto sabotagem.
Mas no fim, chegamos lá, tudo deu certo é a experiência foi riquíssima.
Era uma semana em que eu não estava bem. Embora eu tenha o dom de mostrar aos outros uma felicidade surreal.
Mas quando estávamos atravessando um corredor do shopping onde fica a exposição, eu pude ver a porta, uma réplica exata do programa, e naquele mesmo momento um misto de sensações começaram a me rodear.
Lembranças de falas e episódios aleatórios, das mensagens de cada programa, das coisas que aprendi com as perguntas do Zequinha, da representatividade que era ter uma personagem como a Biba, mulher, negra, de cabelo natural. Da representatividade do Nino, que apesar da idade de 300 anos se sentia jovem, uma criança. Da representatividade do Bongo com duas tranças nagô, sua pele retinta e seu swingue. Da representatividade da cultura folclórica nas histórias da Caipora.
Da importância da boa alimentação, dos hábitos de higiene, do respeito de gênero, do amor ao próximo, da ajuda e do cuidado geral. Enfim, eu gastaria uma vida ressaltando o quanto esse programa era maravilhoso em todos aspectos, principalmente para crianças em formação.
Não esquecendo apenas de ressaltar como ensinar as crianças a se protegerem, a se manterem seguras e sempre buscar auxílio do adulto responsável, a ter esse suporte, pra escapar do Dr Abobrinha.
Enfim, isso tudo voltou tão forte na minha memória em segundos enquanto eu caminhava até a porta.
Éramos ali 3 gerações, com intervalos de 9/ 10 anos. Eu,  30 anos, Joyce 21, e Madu com seus 10.
Posso garantir que eu era a criança naquele momento.
E por que falar sobre isso?
Vivemos uma realidade cada vez mais tecnológica, imediatista. A tv e a internet estão cada vez mais focadas no entretenimento, mas nossas crianças são esquecidas.
A qualidade dos conteúdos destinados a esse público tem caído demais. É a era da audiência e da economia. Poucos são os programas que se preocupam em ter algo relevante para as crianças.
E tudo isso me fez refletir sobre o que minha filha assiste, que tipo de conteúdo ela acessa, lê ou baixa.
Nós, pais, precisamos acompanhar o que também esse lado da vida dos nossos filhos, incentivar o uso de multiplataformas que tragam entretenimento responsável e adequado. Que divirta sim, mas que não confunda, não incite nenhum tipo de violência, que traga conforto, que traga também reflexão e que desperte o bom senso e questionamentos nas nossas crianças, pois essa é a maneira de fixar o aprendizado, e tudo isso pode ser um grande aliado no processo de educação e também de alfabetização, de relacionamento interpessoal, de convívio em sociedade, para que eles possam ser pessoas críticas e com vontade de serem melhores e mais evoluídos sempre.
   Além da instrução educacional, uma das coisas mais maravilhosas que tinhambnos personagens era o suporte emocional. 
No incentivo à leitura, literatura brasileira com o gato pintado e sua biblioteca maravilhosa.  Da importância das descobertas físicas, anatômicas, etc do Tíbio e do Perônio. Da sapiência e da paternidade do Dr Vitor. Do lúdico e do encantado da Morgana. Da criatividade e do respeito às diferenças, da convivência com outras culturas,  nos episódios do Etevaldo e da Menina Azul.


Eles eram amigos, tinham atritos, mas a conversa, a verdade, o afeto eram a base.  O sempre ter com quem contar, o respeito e a pluralidade de cada personagem a cada episódio traziam valores e princípios básicos da família, sem discriminação, sem conservadorismo.
Um programa infantil, sócio educativo, mas muito político, que debatia de forma quase imperceptível temas como racismo, morte, preconceito, economia, História, noções de geografia, arte, cultura.
Eu poderia passar décadas elogiando, falando de como um programa de tv foi fundamental na minha construção como pessoa, e tenho certeza que assim também foi para mais um milheiro de pessoas.



Enfim, se tiverem a oportunidade, visitem. Vale a pena relembrar, ver e estar com todos aqueles que fizeram parte da época mais saudável da minha vida, a infância.
A exposição está no Shopping Iguatemi em Campinas até 10 de junho.
Tô postando muito no Instagram, entaoe segue lá se quiser ver todas as fotos do rolê do século.
E você, também foi marcado por algum programa de tv, ou qualquer outra forma de entretenimento? Deixa aqui nos comentários e divide sua experiência com a gente.
Se quiserem ver mais fotos de detalhes da exposição, visitem meu Instagram @eudesirre.


Essa experiência vai render uma outra postagem, sobre suporte. Então, até lá!


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É difícil estabelecer ou categorizar nossos relacionamentos. Estando envolvidos então, nossa percepção fica ainda mais deficiente.
Dado certo momento, percebemos uma dependência incomum, um ciúme incontrolável, um sentimento de posse, uma carência intensa, emoções descontroladas, manipulação dos fatos e distorção da realidade.
Essas são algumas das características de uma relação que caminha para o abuso.
No começo parece um jogo, uma barganha, e aos poucos evolui para desconfiança, descontrole, agressão verbal, podendo chegar em uma agressão física.
O fato é que mesmo tendo consciência de que isso não é emocionalmente saudável, nós ainda nos sujeitamos a algumas dessas características de relacionamento, quando não todas, e demoramos para identificar o abuso, ou ignoramos o fato de ele existir.
Ora por medo de enfrentar, medo do abandono, medo de recomeçar.
Acredito por experiência, que o mais difícil seja identificar e se auto analisar, descobrir onde somos falhos, onde somos fracos e onde somos motivados.
Ao falar de sentimentos, relacionamentos, é difícil ter um lado racional, pensante e decidido, fica meio clichê chegar até aqui e dizer que só depende de você deixar essa situação, que só precisa de determinação, de vontade quando na verdade você vai precisar de  muito mais.
Você vai precisar ter coragem e disposição. Vai precisar ser independente financeira e tentar emocionalmente também, esse é o desafio maior. Vai precisar entender que esse tipo de relacionamento não se trata de amor, vai precisar descobrir o amor próprio. Vai precisar ser um pouco egoísta e pensar em você, não no que os filhos, ou a família e amigos querem ou acham que seria melhor pra você.
Você vai precisar de amigos, bons amigos. Amigos que queiram só te fazer companhia e amigos que queiram te levar em algum rolê.
Vai precisar se concentrar em você. Nas suas vontades, nas suas ideias, no seu momento, no seu tempo.
Vai precisar de tempo. Vai precisar sofrer, sentir. E saber que vai sim passar.
Precisa saber que não existe receita mágica pra superar ou suportar, mas que apesar de não parecer, sim, vai passar.
Precisa entender que não há nada de errado em tentar, em recair, em recomeçar várias vezes. E que você vai se magoar.
Vai acreditar e se magoar muitas vezes, mas isso só será possível se você permitir.
Você vai se descobrir forte. Mas precisa saber que há momentos em que vai ver o chão se abrir nos seus pés, e que você pode desabar, e se levantar. Sempre levantar.
Você vai entender seus limites. E quando ultrapassa- los vai aprender a se perdoar.
Você vai se amar, aprender a se entender e a não ser tão dura consigo mesma.
Leve o tempo que precisar.
Só não deixe de se amar.
Só não deixe de se respeitar.
Só não deixe seu eu morrer.
Só não deixe.
Só não se vá.
Só.
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Hoje, domingo, dia 11 de fevereiro de 2018, será o dia que finalmente vou escrever o post mais difícil, e ao mesmo tempo, mais libertador da minha vida.
Eu vou dividir com vocês a história de uma adolescente magra, que queria a todo custo se encaixar no padrão, que reforçava que mesmo estando no peso ideal pro seu biotipo, esse peso ainda não era o ideal pra sociedade, que a descrevia como gorda.
Bom, ao auge da minha adolescência, eu tinha um corpo que pra muitas hoje é ideal. Já tinha um corpo desenvolvido, pernas grossas, bumbum grande, seios já de tamanho considerado grandes pra uma garota com 1,65 de altura. 


Mas eu não era feliz. Pesando 65kg, eu achava que precisava pesar 55 pra enfim ser aceita, ser bonita.
Fui uma adolescente típica, saí bastante, dançava muito, jogava handball na escola, parecia feliz e sem problemas, mas no fundo do coração eu me sentia triste, mal, não tinha autoestima nenhuma, não me gostava, e isso refletia na forma como eu tratava as pessoas, sempre arredia, sempre agressiva.
Mas o ponto deste post é mostrar o quanto a pressão estética mexe com as adolescentes, até mais profundamente que com adultos.
Inconscientemente, as pessoas me apoiavam em dietas malucas, em tomar remédios, Shakes, enfim, tudo que fosse me deixar mais magra. 


E durante um tempo eu deixei de viver pra me dedicar a isso.
Neste post incluí fotos de um diário, que fiz pra escrever sobre meu dia, e quando parei pra ler, 15 anos depois, vi que só tinham dietas, exercícios, receitas, desabafos sobre as "jacadas", uma rotina interminável de fórmulas de perda de peso.
Eu tenho muitas memórias de coisas legais que fiz na adolescência, mas nada registrado, porque meu foco era me manter magra, o mais magra possível.
A minha preocupação era registrar que eu não poderia ter fome, que eu não podia ceder.
Esse diário me trouxe uma certa tristeza, mas ao mesmo tempo uma sensação de alívio, de ter conseguido escapar da teia do padrão imposto.
Eu pensei em queimar, me livrar dessa agenda pra me livrar dessa parte do passado, mas foi necessário esse tipo de situação pra eu ser a pessoa esclarecida que sou hoje. 







Gorda sim, mas bem mais feliz e mais confiante e pasmem, mais saudável.
Se passaram 15 anos. Eu já engordei uns 30, 40 kgs de lá pra cá.as só consigo enxergar o quanto sou mais feliz comigo agora.




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"Pega a visão pega a visão
Ran ran ran ran ran ran ran ran
(Quele Quele pique ó)
Ran ran ran ran ran ran ran ran ran ran ran ran ra
É o Celminho que tá mandando anda chama
É o Diguinho que tá mandando anda chama
Pode vim sem dinheiro
Mais traz uma piranha
Pode vim sem dinheiro
Mais traz uma piranha
Brota e convoca as puta Brota e convoca as puta
Mais tarde tem fervo
Hoje vai rolar suruba
Só surubinha de leve
Surubinha de leve com essas filha da puta Taca bebida depois taca pika
E abandona na rua "





Essa é a letra de um funk que tem circulado e causado uma grande polêmica.
Deixo bem claro que assim como uma grande massa, não tenho nada contra o funk, já rebolei muito, e demorei muitos anos pra prestar atenção nas letras, porque o importava mesmo era a batida.
De uns tempos pra cá, tenho sido mais seletiva com as músicas que ouço e que consequentemente dou de opção para minha filha ouvir.
Hoje recebi uma petição no whatsapp, pra que essa música seja retirada do Spotify, que hoje é um dos maiores streaming de música no mundo.
Assinei sim a petição, porque claramente se trata de uma letra machista, que faz apologia ao estupro de vulnerável, e principalmente que é degradante para nós mulheres.
Mas vou explicar o porquê sou contra esse tipo de letra, mas antes vamos fazer um parênteses.
O texto vai ser grande, segura!
Geralmente, o gênero FUNK, é muito mais criticado e alvo de polêmica como essa. E o motivo é simples e óbvio.
O funk é um ritmo das favelas, das comunidades, um ritmo marginalizado, gerando um preconceito estrutural. O objetivo dessas músicas é entreter, então o foco são as batidas e as mixagens, sem compromisso com a letra, com ter alguma moral da história, ou ter alguma grande lição a ser transmitida. É um tipo de música pra se dançar.
Salvo isso, seguimos com a problematização (risos).
Porém, mesmo tendo a função de entretenimento, não podemos isentar a influência que essas músicas tem na nossa vida, comportamento, etc.
E letras como essa nos mostram que, nós mulheres, não estamos seguras.
Que não podemos ter vontade, não podemos nos divertir livremente, beber, sair, porque a qualquer momento alguém se achará no direito de nós violar por isso. Violar nosso corpo, nosso espaço, nossa liberdade.
E ainda há quem pergunte por que o feminismo é necessário. E aí está um belo exemplo.
Uma letra de música que cita claramente que embebedar uma garota, fazer sexo com ela, que estando na condição de alcoolizada se torna vulnerável e incapaz de decisão caracterizando aí já estupro, e depois abandonar na rua, é inadimissivel, é desrespeitoso, é um crime declarado.
E quando eu vejo as pessoas defendendo esse tipo de letra, com base na lei de expressão artística, me incomoda, simplesmente por ser relato de um crime de abuso.
Me entristece ainda mais quando uma mulher parte na defesa desse tipo de letra, porque ela é vítima, é o alvo de quem reproduz esse discurso.
Mas levantemos também a questão de que esse tipo de letra não está presente apenas no funk.
Separei algumas músicas, variando os gêneros musicais, pra que vocês entendam que, condenar o que é já é marginalizado é fácil. Mas é necessário também não consumir ou apontar aqueles outros ritmos que são mais elitizados.
A lista é enorme, e foi bem difícil escolher, porque além de abusos declarados, há várias declarações PEDÓFILAS em letras que são hits.
1- MPB
"Já Já (Se essa mulher fosse minha)" - Sinhô - 1926
Se essa mulher fosse minha eu tirava do samba já já / Dava uma surra nela que ela gritava chega, chega, ó meu amor..."
2- Samba/ Pagode
"Se eu largar o freio - Péricles
A pia tá cheia de louça / O banheiro parece que é de botequim / A roupa toda amarrotada / E você nem parece que gosta de mim / A casa tá desarrumada / E nem uma vassoura tu passa no chão / Meus dedos estão se colando / De tanta gordura que tem no fogão / Se eu largar o freio / Você não vai me ver mais / Se eu largar o freio / Vai ver do que sou capaz..."
3- Rock
"Silvia piranha- Camisa de Vênus
Vive dizendo que me tem carinho / Mas eu vi você com a mão no pau do vizinho / Ô Silvia, piranha! / Todo homem que sabe o que quer / Pega o pau pra bater na mulher..."
4- Sertanejo
"Bruto, rústico e sistemático- João Carreiro e Capataz
Fez um tar de topless / Quando vi me deu um stress / Perdi minha paciência / Por mim faltaram respeito / Na muié eu dei um jeito / Corretivo do meu modo / No quarto deixei trancada / Quinze dias aprisionada..."
5- Rap
"Mulheres Vulgares- Racionais
Fique esperto com o mundo e atento com tudo e com nada / Mulheres só querem / preferem o que as favorecem / Dinheiro e posse, te esquecem se não os tiverem..."
6- Pop
" Amiga da minha mulher- Seu Jorge
“Se fosse mulher feia tava tudo certo/ Mulher bonita mexe com meu coração/ Se fosse mulher feia tava tudo certo/ Mulher bonita mexe com meu coração”
Esses são apenas alguns exemplos de como o machismo e o abuso estão tão penetrados na nossa socialização, que passam despercebidos.
Gêneros musicais não são machistas ou abusivos.
Mas as pessoas que escrevem, produzem e reproduzem essas letras sim, estas são as grandes responsáveis pela famigerada cultura do estupro e do abuso, da sexualização da mulher.
E não acontece só aqui. As músicas internacionais também, como Animals do Maroon five, Hot line bling do Drake, Shake that do Eminem, a lista é interminável.
Precisamos ser mais seletivas com o que vemos, ouvimos, compramos, produzimos se queremos alguma mudança.
Não adianta pegar um gênero que por si já é marginalizado por conta da origem periférica.
Ah, e MC Diguinho, dizer que você canta o que vive é ainda mais problemático, você está afirmando que é um estuprador de mulheres em situação de risco e vulnerabilidade.
        Sejamos menos hipócritas 
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AVISO - GATILHOS

Aqui expusemos nossas dores para que você saiba que não está só, esse blog é feito de relatos que podem ser gatilho para algumas pessoas, por isso pedimos que se estiver passando por algum problema, procure ajuda de um profissional.

DESIRRE

32 anos, Ariana, feminista, problematizadora, saúde mental abalada. Apaixonada por maquiagem e mãe de uma garota incrível e de 3 pets mimados. Espírito livre porém nem tanto.

JOY


23 anos, leonina, confeiteira e design gráfico nas horas vagas. Impaciente e gado da minha namorada.

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