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Um diário compartilhado entre duas irmãs

Já se passou quase uma semana desde a volta dela, e ainda fico emocionada de pensar na sua força e na felicidade dessa realização.
Eu me vi através dela. Livre, corajosa.
Sabia que ela tinha seus medos mas a determinação em seguir um sonho gritava em seu peito.
Eu, irmã mais velha, não me cabia mais dentro de mim. Parecia que meu coração sairia do corpo e ia na mala...
Ela partiu, enfrentou o medo de avião, a crise da primeira noite fora de casa, e se divertiu.
Se divertiu, fez amigos, descansou, viveu.
Cada minuto ali, cada cantinho, cada foto era um troféu.
Ela foi. Por sete dias, sozinha, atravessou metade do país.
Que orgulho.
Eu sentia saudades, mas nada era maior que a felicidade de vê-la conquistando, desbravando, conhecendo, curtindo.
Minha irmã, meu bebê.
Que orgulho.
Ela voltou e a luz emanava.
Ela conseguiu.
Sozinha, com medo, com vontade de ganhar o mundo.
Ganhou vivências, espaço, abraço.
Voou.
Voltou.
Agora ela não tem mais raízes, trocou por asas...


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Esse texto não é uma resenha, resumo, nem algo do tipo.
É a visão de uma pessoa diagnosticada com síndrome do pânico e transtorno de ansiedade generalizada por um profissional. É a visão de alguém que tem diversas crises, mas que tem uma consciência sobre elas e consegue se manter sem medicação em 90% das situações.
Essa é a visão de uma mulher adulta, de 30 anos, que tem uma filha próxima da fase da adolescência.
Essa é a visão de alguém que já viu amigas morrerem de anorexia, transtorno de imagem, suicídio, depressão profunda.
Eu li um texto há poucos minutos que me chamou a atenção pelo desespero e pelo teor de revolta com a série e seu conteúdo, nesta segunda temporada.
Eu não me recordo se escrevi sobre a série quando lançou, eu sei que deveria ter verificado, mas acredito que não dá pra falar de uma temporada isoladamente, então peço perdão de antemão se eu for redundante.
Vamos lá.
A série fala sobre suicídio, bullying, álcool, drogas, abuso sexual, físico e psicológico, dentro de um colégio e fora dele.
Muitas pessoas acharam a série um desserviço, tóxica, instigante e não um alerta.
Eu vejo de outra forma. Reforço, Eu.
Nunca se falou tanto sobre suicídio e abuso quanto se fala desde a série entrar em cartaz.
Claro que eu concordo que há cenas muito explícitas, mas suicídio não é responsável.
Concordo também que pessoas que têm maior sensibilidade ou que estejam em um grau maior de depressão ou que tenham sido vítimas de qualquer um dos abusos relatados na série deveriam se poupar.
Vi a série como um alerta do que acontece quando a gente tem problemas e não procura ajuda, ou procura mas não consegue ser claro, ou tem medo, ou não procura ajuda no lugar certo. Transtornos psicológicos devem ser tratados por profissionais. Pais, professores, amigos não saberão nunca como lidar, e podem até piorar a situação de alguém com esse quadro. Então a mensagem que tá ali gritando é sempre procure ajuda de um profissional.
Há quem diga que o suicídio da Hanna, personagem principal, tenha sido um passo a passo de como se matar e eu acho que em 2018 é muito clichê fazer tão acusação.
Temos sites, blogs, comunidades, grupos, seitas, etc, nessa imensidão que é a internet com descrições e incentivos bem maiores, a um clique de qualquer criança, adolescente, adulto.
O que me toca na série é que como mãe, eu acredito que todos os pais deviam assistir. Primeiro porque não somos perfeitos e muita coisa passa batido na correria dos dias, segundo porque a gente precisa ser mais empático e solícito com nossos filhos. Terceiro porque nós somos responsáveis por eles e por orientar e  educar pra que eles aprendam a se manter seguros e não se colocarem em situações de risco.
É fácil falar, escrever, mas crianças e adolescentes são curiosos. E a série abriu um precedente pra responsabilidade emocional e afetiva, além de ter aumentado a procura nos canais de apoio a vida. Isso não deve ser ignorado.
As críticas foram pesadas, e por meses o assunto era esse.
Isso foi ótimo. Nos abriu pra debater uma questão que era um tabu.
Chegamos a segunda temporada. Com muitos mais avisos sobre os gatilhos. Com dois capítulos especiais comentando essas questões com os atores. Com informações importantes. Uma temporada morna, contando como as pessoas ficaram pós trauma. Algumas fingindo que nada aconteceu, outras procurando justiça, outras tentando se manter de pé. A realidade chega aí. Que se matar não deixa as coisas melhores, não muda o mundo. Conscientização de realidade. Esse grupo que era disperso e que se acusava, se ajuda. Ajuda esclarecer e busca justiça, de forma irresponsável novamente, mas são adolescentes, que se acham os donos destinados do mundo.
E assim a temporada vai se arrastando até o décimo episódio. Onde mais estupros são descobertos, mais abusos, mais negligências, até que um personagem é abusado por alunos dentro do banheiro, violentamente agredido e estuprado com o cabo de um esfregão.
Ai sim. Desnecessário. Chocante, angustiante, dolorido, triste, revoltante. Podiam ter feito de outra forma, mais leve. Mas a realidade não é leve. A vida não é legal. Não dá pra falar de abuso, de estupro, de violência sem ser cruel.
Não dá pra desenhar pôneis pra falar de suicídio e transtornos mentais.
Vai chegando o final e mais choques: síndrome de Estocolmo, gravidez pós estupro, vulnerabilidade, negação do ato por parte de mais personagens que foram vítimas de um agressor em comum.
Agressor este que não recebe condenação justa. Que sai quase ileso por sua influência e posição social (alguma semelhança com a realidade?).
Personagem utilizando drogas pesadas,  no fundo do poço, sendo ajudado, mas não consegue se manter limpo. Mais realidade.
Jovem abusado busca justiça com as próprias mãos, planeja massacre no baile da escola. Outra realidade. Adolescente com síndrome de herói, se colocando na frente de um fuzil, querendo salvar alguém de si mesmo.
Enfim, a série fala só sobre realidade. Coisas que acontecem todos os dias,  que podem ou não ser evitadas, mas não foram. E não vão.
Porque a verdade é uma só. As pessoas querem criticar uma situação enao resolver.
As pessoas querem falar das intenções da série, chamar de irresponsável, mas na primeira oportunidade que alguém fala que está depressivo soltam a famosa frase de que isso é frescura, falta do que fazer, tempo sobrando.
Fica esse questionamento.
E fica o alerta. Se você passou ou passa por essa situação, não veja a série e busque ajuda profissional e especializada. Seja responsável com sua saúde.
É isso.



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Eu tenho sede de um mundo diferente!
Eu queria contar pra essa gente
Que o amor preenche
Que torna tudo eloquente.
Eu tenho sede de um mundo diferente!
Queria fazer um repente
Mostrar abertamente
tudo que a gente sente.
Eu tenho sede de um mundo diferente!
Em que posso andar tranquilamente
Sem medo de "doentes"
Que abusam de inocentes...
Eu tenho sede de um mundo diferente!
Que eu não seja "forçadamente"
A acreditar nesses delinquentes
Que vestem máscaras de decentes.
Ah, eu tenho sede de um mundo diferente!
E que nele haja incansavelmente
A vontade de usar a mente
E que cure a cegueira que corrompe a gente.
Eu tenho sede de um mundo diferente,
Que possamos debater livremente
Sem censura, sem insolentes
Que matam friamente quem pensa diferente...

- Joyce Netto
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Hoje recebi a visita dos sonhos antigos.
Sonhos esses que nunca realizei na ânsia de querer realizar.
Sonhos que já tinha esquecido.
Esqueci pra não admitir que fracassei, comigo. Talvez com mais pessoas. Mas principalmente comigo.
Já se sentiu assim, como se sua vida fosse uma bicicleta sem freio descendo o morro, e você corre, tenta alcançar, tenta parar e ter controle antes que tudo se espedace, mas você nunca consegue alcançar a bicicleta?
Já se sentiu como se sua vida fosse arrastada de você, como se você não estivesse vivendo, como se tudo fosse só um sonho ruim, e que você uma hora vai ter força pra acordar e ter uma nova chance?
Já sentiu que não é o bastante, aliás, que não é nem metade do que poderia ser?
Já sentiu tudo isso junto, ecoando em vozes na sua cabeça, lembrando diariamente o quão fracassado você é?
E pior, sem poder falar, reclamar, ou dividir essa dor, esse fardo, com alguém. Porque ninguém entende. Todos acham que é coisa da sua cabeça, desculpa, preguiça, incapacidade.
De certa forma é assim que a ansiedade faz a gente se sentir.
Um fracasso, cansado, esgotado, dolorido.
E a gente tenta não se render, tenta ser forte. Mas uma hora a gente cai.
E saiba que isso vai acontecer.
Não somos armadura o tempo todo, e temos que aprender a lidar com esse sentimento ruim, essa agonia. É difícil. Machuca.
Virão dias em que os pensamentos ruins serão ainda piores. E que a única vontade será de dar fim a tudo.
Mas essa não é uma opção.
Presta atenção: essa não é a nossa opção!
A gente passa por processos. No começo é mais difícil. Não tem cura, a gente assusta. Mas aos poucos a gente vai se conhecendo. Identificando gatilhos, sintomas. A gente busca ajuda, trata e aprende a lidar. Algumas vezes as coisas sairão do nosso controle, mas nós saberemos voltar. Só precisamos ter paciência e amor a nós. Amor a quem somos, ao que representamos, ao que vivemos, ao que nos trouxe até aqui, e nos levará ainda mais longe.
Algumas vezes não sairemos do lugar.
Nós sentiremos mais fracos, mais impotentes.
É importante que a gente tenha consciência de que viveremos em uma eterna montanha russa, importante aprender a apreciar a vista e também aquele embrulho no estômago.
Passar por isso diz muito sobre a gente, transforma a gente.
Mas sabe... Pra você pode ser diferente de tudo isso que eu tô dizendo. Talvez mais ou menos intenso, mais ou menos doloroso.
A verdade é que ansiedade não tem regra, rotina, roteiro, paradeiro.
E a coisa mais importante é você saber que não está sozinho, e que buscar ajuda é importante pra mim, pra você, pra nós.
Você não é o que pensam, o que criaram ou o que fantasiaram à seu respeito. Você é mais. Você é especial, de verdade.
Chegar até aqui, passar por tudo, resistir, mesmo querendo desistir, não é nada fácil. Eu te admiro.
Não deixe isso ditar o que e como você vai viver sua vida. Respira. Inspira. Concentra.
Escreve, grava, filma, fala em voz alta, gruta, chora, dorme, se recolhe, sai, acende uma vela, medita. Ou não faz nada.
Mas não deixa ela vencer.
Eu não vou deixar ela vencer.
Ela não vai nos vencer.
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AVISO - GATILHOS

Aqui expusemos nossas dores para que você saiba que não está só, esse blog é feito de relatos que podem ser gatilho para algumas pessoas, por isso pedimos que se estiver passando por algum problema, procure ajuda de um profissional.

DESIRRE

32 anos, Ariana, feminista, problematizadora, saúde mental abalada. Apaixonada por maquiagem e mãe de uma garota incrível e de 3 pets mimados. Espírito livre porém nem tanto.

JOY


23 anos, leonina, confeiteira e design gráfico nas horas vagas. Impaciente e gado da minha namorada.

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