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Um diário compartilhado entre duas irmãs



Ser ansiosa é difícil.
Tem aqueles dias que não quero nada.
Tem aqueles dias que quero resolver o problema da paz mundial.
Tem que aqueles dias que quero por tudo em ordem, mas pensar em fazer me deixa mal por não conseguir fazer, e me impede de tentar.
É uma vida cheio de excessos.
De passado, de futuro, de presente.
De passado porque tudo que já fiz um dia, hoje é posto em cheque. É questionado se foram as melhores decisões, e se fossem diferentes o quanto meu presente seria diferente.
Ao mesmo tempo chega o pensamento do 'se', que me faz pensar sobre tudo que ainda não aconteceu, que poderia acontecer ou não, como as decisões afetariam esse futuro, como as decisões diferentes dessas transformariam tudo.
E chega o presente.
Ele chega e me dá uma rasteira mostrando que o passado já foi, que não pode ser alterado, que não adianta pensar, que não existirá futuro porque não consigo seguir, não consigo sair do lugar.
Tudo ao mesmo tempo.
Três círculos de tempo, girando, cada um em uma direção. Mas nada sai do lugar.
Eu não saio do lugar.
São três vozes falando do fracasso de uma mente que não descansa.
São três vozes ecoando, em níveis diferentes o quanto seria melhor desistir e simplesmente sumir.
São mais três vozes tentando me convencer de que nada do que já fiz teve sentido, ou nada do que eu faça será importante ou suficiente para mudar. Me mudar.
São excessos.
De passado, presente, futuro.
São anos acumulando pedaços de outras pessoas, tentando montar um quebra cabeças infinito, sem sentido.
São pedaços.
Peças que não se encaixam.
São dores.

São dias sem cor. Ou dias saturados.
São excessos.
São acúmulos.
E eu tenho medo de não conseguir mais me achar.

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Faz tempo que não escrevo e me peguei me forçando a tentar novamente, colocar algumas emoções e algumas frustrações em forma de texto, sei a, tentar expulsar esses sentimentos de alguma forma. 
E a verdade é que minha vida tem se resumido em falta de ânimo, perda de interesse e um péssimo gerenciamento pessoal. 
É duro admitir que se é falho até em comandar a própria vida, mas acredito que toda mudança começa pela admissão da culpa ou da responsabilidade.
E é esse exercício que tenho feito nos últimos tempos, me obrigando a tentar manter uma rotina e não sofrer se algo se perder ou desviar no processo. 
Esse não vai ser nenhum texto de muito conhecimento, reflexão ou de votos para este ano... É só uma conversa que eu dividiria com alguém no metrô, ou na fila do busão. 
Uma conversa vaga, sem plosts, mas bem sincera. 
Meu corpo anda cansado e tenho tentado de tudo para fugir "dela". Meditação, ioga e mix florais tem me ajudado a seguir, mas não fazem milagre. 
Eu tirei um tempo pra recuperar meu emocional e meu psicológico, e tem sido a passos de formiga. Mas estou otimista. 
E é isso. 
Espero ter em breve ânimo e inspiração pra vir dividir alguma reflexão a vocês leitores, mas hoje é isso que temos.

Sejamos fortes. 
Abraços.

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Eu perdi meu pai. 
Desculpa começar com esse soco no estomago, mas são palavras que eu precisava muito vomitar. 
Mas eu perdi meu pai muito antes da morte dele. 
Eu perdi meu pai 2x. 
Como parte da minha terapia, escrever me foi sugerido para aprender a lidar com as minhas emoções. E agora mesmo,jogando tetris entre uma olhada e outra no instagram, me desceu uma lágrima de saudade. 
A primeira vez que perdi meu pai, foi o biológico. Ele terminou o relacionamento com a minha mãe e com a gente,os filhos. Prometia inúmeras vezes passeios, ou visitas. E cada vez que ele não vinha, ele morria. Até quando de fato, todo o pingo de sentimento de fato morreu. O amor e qualquer outro sentimento morreu. 
Mas eu ja tinha um pai de verdade, de coração, de alma nesse período. 
Minha mãe se casou com um dos homens mais honrosos que já conheci. Ele me ensinou a ser esperta, a ser inteligente, a desconfiar, a me impor, a trabalhar, a ser forte. 
Mesmo não sendo carinhoso, ou fácil de lidar, ele demonstrava amor, a nós, filhos de outro homem. Nos amou e trabalhou mais que qualquer outra pessoa para nos dar o mínimo mas muito conforto. Ele tinha suas cobranças, seus momentos de explosão, mas eu me recordo de ver ele chorando escondido quando não tinha como presentear a todos no natal, ou na pascoa. 
Ele se deixou levar por isso. E como a gente ia crescendo, as necessidades aumentavam, ele passou a trabalhar tanto, que quase não o víamos, começou a perder os almoços de domingo, as ceias de natal, os pequenos bolos de aniversários. 
Sempre preocupado com as contas, com a comida, tentando dar certo na vida. 
Se descobriu diabético e decidiu que ia ignorar a doença, queria viver. 
Aos poucos a doença foi tirando sua energia, e a falta de autocuidado tbm. 
Ele foi envelhecendo, ainda pensando em trabalhar, ainda querendo ser o mesmo. A doença se manifestava e seu corpo pedia cuidado, pedia socorro.
Ele se recusava a aceitar diminuir o ritmo, recusava se tratar. E ai a gente começou a perder. 
Eu surtei internamente. 
Me doía ver ele acamado, um homem que sempre foi ativo, nunca teve preguiça, ali deitado 24 hrs. 
Me doía ser impotente. 
Minha cabeça não aguentou. Grande parte do que será escrito aqui nunca foi dito.
Mas juntou o termino de um relacionamento ruim, com a situação do meu pai,meu desemprego, meu desempenho ruim na faculdade, e tudo explodiu. 
Eu não consegui pedir ajuda. 
Não consegui contar pra ninguém que eu queria morrer e só não morri pq eu tinha medo do que isso faria com a cabeça da minha filha e da minha família. 
Eu parei de cuidar da minha casa, e de mim. E da minha filha e dos meus gatos. 
Minha filha foi para a casa da minha mãe pela proximidade da escola e ali foi com ela o resto de vontade de viver. Eu me senti a pior das mães, e mesmo depois de 5 meses quase 6, que ela esta lá, mesmo vendo ela todos os dias, ainda me sinto inútil. Mas aceitei que foi melhor. 
Foi melhor pq hoje ela só vê o melhor de mim. 
E todos que me conhecem. Desculpem. 
Vocês só veem o personagem que criei. Que tudo suporta, que supera, que não se magoa, que é forte. 
Mas a verdade é que estou destruída. Não existe um só pedaço de mim inteira. 
E tem sido difícil me refazer.
Eu me sinto fraca. Impotente. Inútil.
Eu sei das minhas capacidades, talentos, sei do meu potencial. Mas eu não sei se quero continuar. 
Estou apenas sendo empurrada aqui nesta vida. 
Estou só existindo. Indo onde me levam. 
As vezes tenho alguns segundos de lucidez e me bate uma vontade imensa de viver,outras horas eu perco total a energia e fico vazia. 
E parte de estar assim é pq eu desejo fazer muito, de coração. Eu queria ajudar as pessoas, eu queria mudar o mundo, queria abrir os olhos das pessoas, mas além de muita arrogância de minha parte em achar que eu sei o que é o certo, ainda existe a pergunta: Como?
Eu sinto as coisas com muita intensidade e esse vazio tem sido intenso. 
Eu sinto um buraco. 
Uma fraqueza. 
Eu sei que estou assim pelas perdas dos últimos anos, pelos fracassos, pelos projetos não iniciados e pela cobrança que eu tenho comigo. 
Eu disse que não ia me permitir ser arrastada pelo sofrimento. E não tenho permitido. 
Mas eu tenho o entendimento de que não preciso ser una fortaleza o tempo todo. E hoje uma lembrança dele, meu pai, me fez desabar por 5 minutos. 
Talvez esse texto esteja confuso. Assim como a minha cabeça e minha vida estão agora. 
Talvez alguém esteja lendo e pensando que estou contando sua vida. 
Talvez alguém conhecido leia e me julgue. 
Não importa. 
Saiba que tudo que eu contei aqui são fragilidades que ficarão nesse texto. 
Estou tirando de mim esse vazio e ele morrerá aqui mesmo. 
Amanhã talvez eu acorde e faça ioga ou medite pra ter um dia melhor. 
Talvez eu durma até meio dia. 
Mas saiba que esse vazio, amanhã, não vai me acompanhar. 
E sobre meu pai eu conclui que ele viveu como queria, e foi embora quando a vida dele perdeu sentido pra ele. 
A gente que fica sofre mas se conforma. 
Dói. Mas a gente se conforma. 
E desculpa se você leu e achou que no fim ia ter uma grande lição ou um testemunho de superação do vazio e da dor. 
Juro que quando isso acontecer, se acontecer, eu escrevo pra contar. 
Por enquanto é só isso, ou tudo isso. 
Respira fundo. E fecha a página. 

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AVISO - GATILHOS

Aqui expusemos nossas dores para que você saiba que não está só, esse blog é feito de relatos que podem ser gatilho para algumas pessoas, por isso pedimos que se estiver passando por algum problema, procure ajuda de um profissional.

DESIRRE

32 anos, Ariana, feminista, problematizadora, saúde mental abalada. Apaixonada por maquiagem e mãe de uma garota incrível e de 3 pets mimados. Espírito livre porém nem tanto.

JOY


23 anos, leonina, confeiteira e design gráfico nas horas vagas. Impaciente e gado da minha namorada.

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