Sobre a ansiedade, mais uma vez

by - sábado, maio 19, 2018

Hoje recebi a visita dos sonhos antigos.
Sonhos esses que nunca realizei na ânsia de querer realizar.
Sonhos que já tinha esquecido.
Esqueci pra não admitir que fracassei, comigo. Talvez com mais pessoas. Mas principalmente comigo.
Já se sentiu assim, como se sua vida fosse uma bicicleta sem freio descendo o morro, e você corre, tenta alcançar, tenta parar e ter controle antes que tudo se espedace, mas você nunca consegue alcançar a bicicleta?
Já se sentiu como se sua vida fosse arrastada de você, como se você não estivesse vivendo, como se tudo fosse só um sonho ruim, e que você uma hora vai ter força pra acordar e ter uma nova chance?
Já sentiu que não é o bastante, aliás, que não é nem metade do que poderia ser?
Já sentiu tudo isso junto, ecoando em vozes na sua cabeça, lembrando diariamente o quão fracassado você é?
E pior, sem poder falar, reclamar, ou dividir essa dor, esse fardo, com alguém. Porque ninguém entende. Todos acham que é coisa da sua cabeça, desculpa, preguiça, incapacidade.
De certa forma é assim que a ansiedade faz a gente se sentir.
Um fracasso, cansado, esgotado, dolorido.
E a gente tenta não se render, tenta ser forte. Mas uma hora a gente cai.
E saiba que isso vai acontecer.
Não somos armadura o tempo todo, e temos que aprender a lidar com esse sentimento ruim, essa agonia. É difícil. Machuca.
Virão dias em que os pensamentos ruins serão ainda piores. E que a única vontade será de dar fim a tudo.
Mas essa não é uma opção.
Presta atenção: essa não é a nossa opção!
A gente passa por processos. No começo é mais difícil. Não tem cura, a gente assusta. Mas aos poucos a gente vai se conhecendo. Identificando gatilhos, sintomas. A gente busca ajuda, trata e aprende a lidar. Algumas vezes as coisas sairão do nosso controle, mas nós saberemos voltar. Só precisamos ter paciência e amor a nós. Amor a quem somos, ao que representamos, ao que vivemos, ao que nos trouxe até aqui, e nos levará ainda mais longe.
Algumas vezes não sairemos do lugar.
Nós sentiremos mais fracos, mais impotentes.
É importante que a gente tenha consciência de que viveremos em uma eterna montanha russa, importante aprender a apreciar a vista e também aquele embrulho no estômago.
Passar por isso diz muito sobre a gente, transforma a gente.
Mas sabe... Pra você pode ser diferente de tudo isso que eu tô dizendo. Talvez mais ou menos intenso, mais ou menos doloroso.
A verdade é que ansiedade não tem regra, rotina, roteiro, paradeiro.
E a coisa mais importante é você saber que não está sozinho, e que buscar ajuda é importante pra mim, pra você, pra nós.
Você não é o que pensam, o que criaram ou o que fantasiaram à seu respeito. Você é mais. Você é especial, de verdade.
Chegar até aqui, passar por tudo, resistir, mesmo querendo desistir, não é nada fácil. Eu te admiro.
Não deixe isso ditar o que e como você vai viver sua vida. Respira. Inspira. Concentra.
Escreve, grava, filma, fala em voz alta, gruta, chora, dorme, se recolhe, sai, acende uma vela, medita. Ou não faz nada.
Mas não deixa ela vencer.
Eu não vou deixar ela vencer.
Ela não vai nos vencer.

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