Tudo quanto penso

by - sexta-feira, setembro 21, 2018

É sempre na madrugada que vem a inspiração ou a necessidade de escrever.
Talvez pelo silêncio, a sensação de solidão mais aflorada, a movimentação ininterrupta dos pensamentos... Talvez todo esse clima melancólico que a madruga traga me deixe mais sensível ou me dê mais tempo de refletir sobre a minha situação.
Todos os dias eu faço um esforço pra me manter bem. Eu tento, tento de novo, mas nunca parece ser o suficiente. Sempre falta alguma coisa. Sempre me sinto esgotada e frustrada.
É estranha essa avalanche de sentimentos, essa necessidade de proteger meu eu frágil e não demonstrar essa fragilidade para as pessoas, mas me mostrar como sou vulnerável quando escrevo. É difícil demais. É doloroso.
E por mais que pareça fácil me ver sorrindo, fazendo piadas, sendo leve, dentro de mim tudo é denso e cinza. Não existe essa alegria. Essa é a minha barreira. Por dentro eu sou uma bagunça, grito, desespero. E eu não consigo externar.
Mas na madrugada sou só eu. Nem os gatos, nem os travesseiros conseguem amenizar a dor de não se sentir suficiente. A dor de não conseguir realizar o mínimo. A incapacidade de ter empatia com a minha própria história.
Na madrugada os pensamentos são como pedaços de cacos de vidro que vão entrando na pele, ao poucos e rasgando ela toda por dentro, e a energia são as lágrimas escorrendo dos meus olhos, me deixando cansada, sem ânimo, desidratada.
Escrever é a minha terapia, é como tirar de mim toda essa coisa ruim, toda essa dor. É como botar num saco preto todo esse lixo acumulado no meu peito. Toda essa frustração e essa expectativa irreal, inalcançável.
E mesmo que eu saiba que preciso ser paciente comigo mesma, que preciso ter mais respeito e amor pela minha história, respeitar todo a minha luta até aqui, ainda assim, é difícil querer continuar.
Mas eu continuo, até onde meus pés aguentarem...


You May Also Like

0 comments