Eu queria dizer que quando olho nos seus olhos sinto meu coração bater mais forte e meu corpo se aquecer como num primeiro dia de verão.
Eu queria te dizer que quando você se aproxima o mundo todo ao redor pára, sem cor, desfocado, lento.
Eu queria te dizer que cada vez que você passa nossa música toca, e acontece alguma mágica que me faz sorrir feito boba e sem parar.
Eu queria te dizer que quando ouço sua voz é como se os anjos falassem, como se algo em mim se curasse e a dor cessase.
Eu queria te dizer que quando você me toca, o mais simples que seja, um aperto de mão, eu sinto como se o mundo entrasse em colapso, o chão se abrisse, e eu desabasse.
Eu queria te dizer tudo que não disse.
Eu queria ter a chance de te mostrar o efeito que você causa em mim. Quando perco a fala, perco os sentidos, esqueço até meu nome.
Eu queria te dizer que eu sentia, de verdade, mesmo não conseguindo por em palavras, que eu e você só teríamos sentido juntos.
Eu queria ter lutado por isso.
Eu queria ter tido coragem de segurar sua mão e não te deixar ir.
Eu queria impedir que você sofresse. Ou que doesse. Eu queria.
Eu queria você, do seu jeito, no seu tempo, com todos os seus trejeitos e defeitos, com todas as suas manias e esquisitices.
Eu queria que tivesse ficado, mesmo quando eu pedi pra você ir.
Eu queria que você quisesse. Mas que dissesse, porque eu não sabia dizer.
Eu queria você como ninguém jamais quis outra pessoa.
Eu queria não ter perdido, por esse medo e esse orgulho em não dizer 'fica'.
Eu queria ter escrito uma canção de amor, ou um poema sobre você, quando ainda eramos nós.
Eu queria não querer mais, não desejar mais, não buscar mais, quando tudo que eu precisava já estava aqui.
Eu queria me desculpar por ser egoísta, por te amar pela metade, você não merecia.
Eu queria ter te respondido, correspondido.
Eu queria ter sido pra você tudo que foi pra mim.
E hoje, quando nada mais pode ser dito, sentido, lido, vivido eu sinto a dor de não ter sido. A dor de não ter dito. A dor de não ter vivido. E talvez mais cruel ainda seja a dor de nunca ter sentido.
-Desirre

