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Um diário compartilhado entre duas irmãs




Nas últimas semanas muitas coisas tem acontecido e ao mesmo tempo nada acontece.
Na ânsia de atender e corresponder às expectativas, eu fui me afogando em silêncio e omissão.
Dias difíceis. Todos passam por dificuldade.
Isso é besteira, eles dizem.
Você precisa trabalhar, ouvi.
Falta de ocupação, de força de vontade, também gritaram.
Mas só eu sei o quanto é difícil.
O quanto o corpo pesa, a mente cobra e a gente simplesmente vê as horas passarem lentamente, o dia ir é a noite vir. Ao nosso redor, um caos.
A culpa por ter tanto pra fazer e não ter feito nada.
A culpa por querer fazer e não conseguir.
Conviver com altos e baixos, com as emoções cada vez mais afloradas, mais instáveis, mais confusas.
Não conseguir ver o óbvio. Fazer o mínimo.
São tantas frustrações.
Seja mais simpática, comporte- se comunicar uma moça, se dê o respeito, não seja preguiçosa, seu tempo está passando.
Esse dia terrível tá quase no fim.
E amanhã, será que ela vem? 



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Pouco falo sobre racismo, porque ainda é difícil me impor e ser aceita como pessoa negra. De pele mais clara, a famosa nascida branca, que apelidam de parda, mas negra.
E cada vez mais tenho consumido informações a respeito, minha ideia de racismo era superficial.
Sempre acreditei que racismo era aquela piada, brincadeira ou verdade ofensivas. Se não me ofender, não considero racismo. Um pensamento bem egoísta.
Passei a pensar no todo. Em toda história, luta, dor, que os negros sofreram ao longo dos anos. Tudo que foi tirado e que foi imposto apenas pela cor da pele.
E eis que no auge de muitas mudanças de conceito, de pensamento surge Malu.
Uma cantora que eu já tinha aquele pé atrás, mas que mantinha até uma simpatia.
No clipe da música Você não presta vemos uma mulher branca, padrão a frente.
No plano de fundo, dançarinos negros. Sem qualquer interação com a cantora, só ali, dançando e exibindo os corpos, fazendo movimentos que ao meu ver são características das danças dos terreiros, dança essa, também feita pela protagonista.
A letra, a melodia isoladas nada significam.
Mas quando você analisa o vídeo é o áudio juntos tem aquela impressão do bordão de todo racista encubado: "até tenho amigos negros", não convido você porque você não presta, gente que não aprecia a negritude não é bem vindo aqui.
Seria lindo, se não houvesse sinais claros de que os negros ali são adornos.
Como nas cenas em que ela aparece dentro de um baú de caminhão enquanto os negros vão seguindo o carro de bicicleta. Como no momento em que eles aparecem todos atrás de grades. Como no momento onde partes de seus corpos são focalizadas e sensualizadas.
Poderia ser inclusivo, pode não ter sido proposital mas não deixa de ser racista.
E fica aquela sensação de que este vídeo passou por tantas mãos e olhos e mais uma vez o negro é ignorado, ninguém percebeu que a edição, que o roteiro e todo o enredo desse clipe somado à letra da música soaria de péssimo tom.
Mirou na inclusão, na empatia forçada e errou feio.
Malu pode até não ser racista. Pode ter pensado que usar seu privilégio seria bom para a causa negra, mas... 
Não dessa forma.
Não nesse contexto.



Após a polêmica, Mallu se pronunciou. 

"Fico muito triste em saber que o clipe da música ‘Você não presta’ possa ter ofendido alguém. É muito decepcionante para mim que isso tenha acontecido. Gostaria de pedir desculpas a essas pessoas. Meu trabalho e minha mensagem têm sempre finalidade e ideais construtivos, nunca, de maneira nenhuma, destrutivos ou agressivos.
A arte é um território muito aberto e passível de diferentes interpretações e, por mais que tentemos expressar com precisão uma ideia, acontece de alguns significados, às vezes, fugirem do nosso controle.
Sei que o racismo ainda é, infelizmente, um problema estrutural e muito presente. Eu também o vejo, o rejeito e o combato.
Li cada uma das críticas, dos posts e comentários, e o debate me fez refletir muito sobre o tema. Entendo as interpretações que derivaram do clipe, mas gostaria de deixar claro minhas reais intenções.
A ideia era ter um clipe com excelentes dançarinos que despertassem nas pessoas a vontade de dançar, de se expressar. Foram convidados pela produtora e pelo diretor os bailarinos Bruno Cadinha, Aires d´Alva, Filipa Amaro, Xenos Palma, Stella Carvalho e Manuela Cabitango. Com a última, inclusive, tive a alegria de fazer aulas para me preparar para o vídeo.
É realmente uma tristeza enorme ter decepcionado algumas pessoas, mas ao mesmo tempo agradeço a todos por terem se expressado. E reitero o meu pedido de desculpa. É uma oportunidade de aprender.
Espero que, após este esclarecimento, seja aliviado deste espaço de conversa qualquer sentimento de ofensa ou injustiça, ficando os fundamentos nos quais tanto acredito: a dança, a arte e o convite à música.
MALLU"

E o que aprendemos com isso? 
Reconhecer seu erro, saber se desculpar, aprender e não anular a fala do outro, cuidar pra que não aconteça novamente. 
É isso amigos. 
Racismo é crime, e sobretudo coisa de gente pequena e burra. 

"Quem não tem sangue de preto na veia, tem nas mãos. " 



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Eu tenho compartilhado muita coisa, muitos sentimentos, muitos pensamentos aqui e desde então a função do blog mudou pra mim.
Eu comecei como blogueira de beleza, mas lá no fundo, meu feeling era falar de saúde mental, de comportamento.
Eu queria de alguma forma ajudar pessoas que estejam passando pelo mesmo problema. Queria trazer um conforto, como se eu pudesse segurar sua mão e dizer 'você não está sozinho'.
Porém, a grande verdade é que estamos sozinhos.
A depressão, a ansiedade, a síndrome do Pânico entre outras, nos isolam, nos aprisionam.
É difícil todos os dias acordar e na mesma intensidade é difícil dormir.
Abrir os olhos depois de muitas horas em claro, pensando na nossa vontade de realizar coisas e ao mesmo tempo pensar na nossa impotência e fracasso, é uma tarefa dolorosa.
Viver com a ansiedade é viver com incertezas.
Você não sabe o motivo, não sabe a causa, não sabe parar, não sabe evitar. Leva tempo.
Muitos não conseguem esperar esse tempo.
Muitos não aguentam a solidão.
E por isso eu quero dizer a você, que passa por tudo isso que eu entendo sua dor mas não posso imaginá- la. Cada um passa e lida de uma forma.
Talvez você seja mais forte, talvez mais fraco.
Eu quero te contar como me sinto. Quero pegar sua mão.
Eu quero dizer o quanto é difícil começar o dia pensando 'eu só preciso aguentar mais algumas horas'.
Eu quero dizer que fica tudo bem no fim, mas eu não posso. Eu não cheguei no fim.
Eu quero poder vir aqui e contar como foi passar o dia morrendo por dentro mas ter que conversar com a minha filha sobre o dia dela, ter que ouvir meu marido falar do trabalho, ter que fingir todos os dias que tudo está bem, normal, quando por dentro, Ah meu Deus, eu só quero chorar e eu nem sei o porquê.
Então, eu decido falar aqui sobre sentimentos. Esses que eu as vezes ignoro por que não sei lidar, mas que estão ali.
Eu me apavoro de pensar todos os dias no tempo que estou perdendo, na vida que estou deixando de viver. Eu me prometo todos os dias tentar.
Eu tento.
E nem sempre eu consigo.









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É difícil falar sobre si.
Mais difícil é falar a parte ruim da gente. Não se engane. Todos temos algo a melhorar.
Sempre me achei a pessoa mais tranquila pra se relacionar. Não tinha grandes exigências, sempre fui aberta ao diálogo e sempre mantive a ideia de que a base do relacionamento era a cumplicidade e o respeito.
Minha vida amorosa começou cedo. Meu primeiro namorado aos 15 anos, e todas as descobertas com ele. Um namoro longo. Em 4 anos de relacionamento tivemos nossa filha, moramos juntos e aí tudo desabou.
Eu me tornei uma mãe. Esqueci de ser esposa. O meu maior defeito ficou mais aparente: falta de paciência. Eu não queria mais ser casada, não queria ter que dividir a vida com outra pessoa que não fosse minha filha. Terminamos uma relação de 5 anos. Não foi o término mais amigável, mas não foi traumatizante. Conseguíamos conversar sobre o necessário.
Quando nos separamos eu percebi o quanto nossa relação era um tanto abusiva, dependente. Eu era e ainda sou muito autoritária. Sempre achei que a relação tinha que ter uma cabeça, e que seria eu claro.
No período que estivemos separados, tivemos outras experiências, conhecemos outras pessoas.
E aqui começa a história.
Foram meses sozinha, repensando atitudes, curtindo mais a mim mesma. Fui aos poucos me construindo uma pessoa melhor, mais leve.
Até que o conheci.
Eu, considerada fora do padrão, mãe solteira. Conheci por acaso, por um amigo em comum, por uma rede social.
Ele era tudo que eu achava que queria. Inteligente, bonito, estabelecido, engraçado, leve, sem preconceitos.
Nossa amizade virtual foi ficando cada vez mais forte. Ficavamos 24 horas por dia trocando SMS, mensagens no Facebook, marcações, conversávamos horas pelo Skype pra nos vermos.
Isso tudo em 30 dias.
Marcamos de nos vermos e meu medo de encontrar um desconhecido foi superado naquele minuto.
Nosso encontro foi em um supermercado porque eu precisava comprar pilhas.
Foi o abraço mais apertado. Caminhamos por todas as praças ali perto até o primeiro beijo acontecer. E que beijo.
Senti que poderia morrer depois dele.
Foi difícil nos despedir, e foi inevitável não fantasiar sobre aquele encontro a noite toda, a semana toda.
Continuamos conversando pelas redes sociais, nos encontramos novamente, até que num encontro descobri que ele já tinha se relacionado com alguém muito próxima a mim.
Ouvi ele contar o quanto a relação foi problemática, mas existia um brilho no olhar dele quando falava o nome dela. Tudo mudou.
Eu senti inveja, ciúme, percebi que estava gostando demais pra deixar que ela voltasse.
Mas eu só conhecia o lado dele da história.
Cheguei a perguntar pra ela, mas ela não quis falar sobre.
Fiquei mais intrigada e ali comecei a ruir a relação. Ali o pior de mim acordou.
Acabou a confiança, começaram as cobranças e ele me disse algo que me fez surtar. Ele não estava pronto pra uma relação. Ele não queria, mas ia acabar se afastando, me pediu pra não ter esperança. Eu mantive o orgulho, fingi que não estava nem aí, nem interessada numa relação, mas me doía ler nossas mensagens em que ele me descrevia como amiga.
Se passaram dois meses. Mais de um mês sem nos encontrarmos. Eu não ia conseguir olhar nos olhos dele. Eu sentia raiva, ciúme demais e temia não conseguir disfarçar pessoalmente.
Minha mente ficou doente.
Comecei a achar que talvez se eu fosse mais fraca ele teria mais interesse. Eu tinha que perder a pose de autosuficiente.
Comecei a me fazer mais sentimental, mais passional, e ele cedia.
Achei que estava tudo no controle. Mas eu me perdi. Deixou de ser personagem e comecei a pressionar mais, e forçar mais uma relação que não existia, só na minha cabeça.
Ele estava perto, nos encontramos.
Não foi diferente o seu discurso. Ele não tava pronto, não queria que eu sofresse, não queria mais nenhum contato. Nem amizade.
Eu surtei. Eu precisava daquele contato diário, das nossas conversas, das piadas dele. Das nossas músicas.
Ele estragou minhas músicas.
Sumiu.
Me bloqueou nas redes sociais​.
Eu surtei mais uma vez. Precisava conversar, precisava saber da vida dele.
O tempo passou. Outras pessoas vieram, eu cada vez mais controladora abusiva, carente. Mas mais fechada. Eu temia outra pessoa como ele.
Conheci uma pessoa maravilhosa, totalmente diferente. Não era muito inteligente, nem.muito engraçado, nem estável. Era um sonhador.
Mas desta vez eu não estava pronta.
Mas ele não desistiu. Tentou, mesmo com tantas patadas, tantos foras, tantas vezes que fui rude, ele não desistiu. Eu queria, ele merecia, mas eu não conseguia.
Ele estava servindo o exercito, e tinha chegado o momento de ele decidir se voltava pra casa de vez ou se ia para outro estado. Ele me pediu pra pedir pra ficar. Pediu pra eu ser o motivo de ele ficar. Mas eu não estava pronta e deixei talvez a melhor pessoa do mundo ir.
Fiquei sozinha e decidi que esse era meu destino, eu e meus gatos.
Mas ele percebeu que eu estava bem, é que estava superando nossa história.
Eu parei de mandar mensagens, de procurar nas redes sociais, mandar email, ligar pra irmã dele, pedir informações quando descobri que ele tinha outra. Namorada. Assumida pra família, para os amigos. Tudo que eu queria e ele não fez.
Sofri mas superei. Quase enlouqueci, mas me curei.
Nunca mais ouvi Adele. Nunca mais ouvi A banda mais bonita da cidade.
Mas ele me achou no caminho.
E eu pensei que ser amiga era meu lugar, que eu não sentia mais nada.
A gente se encontrou. Conversou.
Na minha cabeça só ecoava "me beija", umas 30x por segundo.
Ele não beijou. Pelo contrário usou esse encontro pra me fazer Judas e falar tudo que ele mais odiava em mim é porque não demos certo.
A crueldade ficou atrelada ao sorriso falso e ao sarcasmo das frases. Ele me viu bem, me viu me afastar e resolveu me dar o golpe de misericórdia.
Sai de lá tentando manter uma firmeza, que eu sustentei com altas doses de grosseria, mas eu estava destruída por dentro.
Não soube dele, nem o procurei por semanas. Até que ele me mandou uma mensagem dizendo.que tudo que ele fazia era pra me manter longe porque eu não merecia sofrer, não merecia alguém como ele.
Ele estava certo. Mas já tinha desgraçado a minha vida em tão pouco tempo.
Eu me tornei ele. Fiz a mesma coisa com cada pessoa que passou na minha vida. Destruiu pessoas equilibradas e pessoas boas. Matei a esperança de cada uma delas.
E num ato de extremo medo, depois de anos sem contato, eu escrevi pra ele. Falei tudo que sentia, num ato desesperado de por um fim naquilo, de me libertar de vez de todo o sentimento ruim de perda, de toda vontade de fazer o mundo pagar por cada momento de dor.
Ele se manteve na posição de superioridade.
E eu descobri que eu não era ruim, não era louca, não era pouco pra ele.
Na verdade eu descobri que eu realmente não merecia alguém como ele.
Descobri que ele não era nem parecido com a imagem.que ele criou pra mim. Era só um personagem.
Eu passei tempo sofrendo por alguem que não existia.
Eu dediquei parte do tempo de três anos pra me vingar de uma pessoa que nunca foi real.
Eu me tornei manipuladora, abusiva, controladora, ciumenta, chantagista, agressiva, egoísta.
Ou será que eu já era? Será que isso tudo já existia em mim e ele foi a chave que libertou meu eu?
Durante anos essas foram as minhas dúvidas, meus fantasmas.
Foi difícil superar. Esquecer não dá.
Mas foi o que me tornou o que sou hoje. E não abro mais mão de mim.

"Não te tornes aquilo quente feriu".



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AVISO - GATILHOS

Aqui expusemos nossas dores para que você saiba que não está só, esse blog é feito de relatos que podem ser gatilho para algumas pessoas, por isso pedimos que se estiver passando por algum problema, procure ajuda de um profissional.

DESIRRE

32 anos, Ariana, feminista, problematizadora, saúde mental abalada. Apaixonada por maquiagem e mãe de uma garota incrível e de 3 pets mimados. Espírito livre porém nem tanto.

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23 anos, leonina, confeiteira e design gráfico nas horas vagas. Impaciente e gado da minha namorada.

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