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Um diário compartilhado entre duas irmãs

É sempre na madrugada que vem a inspiração ou a necessidade de escrever.
Talvez pelo silêncio, a sensação de solidão mais aflorada, a movimentação ininterrupta dos pensamentos... Talvez todo esse clima melancólico que a madruga traga me deixe mais sensível ou me dê mais tempo de refletir sobre a minha situação.
Todos os dias eu faço um esforço pra me manter bem. Eu tento, tento de novo, mas nunca parece ser o suficiente. Sempre falta alguma coisa. Sempre me sinto esgotada e frustrada.
É estranha essa avalanche de sentimentos, essa necessidade de proteger meu eu frágil e não demonstrar essa fragilidade para as pessoas, mas me mostrar como sou vulnerável quando escrevo. É difícil demais. É doloroso.
E por mais que pareça fácil me ver sorrindo, fazendo piadas, sendo leve, dentro de mim tudo é denso e cinza. Não existe essa alegria. Essa é a minha barreira. Por dentro eu sou uma bagunça, grito, desespero. E eu não consigo externar.
Mas na madrugada sou só eu. Nem os gatos, nem os travesseiros conseguem amenizar a dor de não se sentir suficiente. A dor de não conseguir realizar o mínimo. A incapacidade de ter empatia com a minha própria história.
Na madrugada os pensamentos são como pedaços de cacos de vidro que vão entrando na pele, ao poucos e rasgando ela toda por dentro, e a energia são as lágrimas escorrendo dos meus olhos, me deixando cansada, sem ânimo, desidratada.
Escrever é a minha terapia, é como tirar de mim toda essa coisa ruim, toda essa dor. É como botar num saco preto todo esse lixo acumulado no meu peito. Toda essa frustração e essa expectativa irreal, inalcançável.
E mesmo que eu saiba que preciso ser paciente comigo mesma, que preciso ter mais respeito e amor pela minha história, respeitar todo a minha luta até aqui, ainda assim, é difícil querer continuar.
Mas eu continuo, até onde meus pés aguentarem...


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AVISO - GATILHOS

Aqui expusemos nossas dores para que você saiba que não está só, esse blog é feito de relatos que podem ser gatilho para algumas pessoas, por isso pedimos que se estiver passando por algum problema, procure ajuda de um profissional.

DESIRRE

32 anos, Ariana, feminista, problematizadora, saúde mental abalada. Apaixonada por maquiagem e mãe de uma garota incrível e de 3 pets mimados. Espírito livre porém nem tanto.

JOY


23 anos, leonina, confeiteira e design gráfico nas horas vagas. Impaciente e gado da minha namorada.

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