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Um diário compartilhado entre duas irmãs

Hoje, domingo, dia 11 de fevereiro de 2018, será o dia que finalmente vou escrever o post mais difícil, e ao mesmo tempo, mais libertador da minha vida.
Eu vou dividir com vocês a história de uma adolescente magra, que queria a todo custo se encaixar no padrão, que reforçava que mesmo estando no peso ideal pro seu biotipo, esse peso ainda não era o ideal pra sociedade, que a descrevia como gorda.
Bom, ao auge da minha adolescência, eu tinha um corpo que pra muitas hoje é ideal. Já tinha um corpo desenvolvido, pernas grossas, bumbum grande, seios já de tamanho considerado grandes pra uma garota com 1,65 de altura. 


Mas eu não era feliz. Pesando 65kg, eu achava que precisava pesar 55 pra enfim ser aceita, ser bonita.
Fui uma adolescente típica, saí bastante, dançava muito, jogava handball na escola, parecia feliz e sem problemas, mas no fundo do coração eu me sentia triste, mal, não tinha autoestima nenhuma, não me gostava, e isso refletia na forma como eu tratava as pessoas, sempre arredia, sempre agressiva.
Mas o ponto deste post é mostrar o quanto a pressão estética mexe com as adolescentes, até mais profundamente que com adultos.
Inconscientemente, as pessoas me apoiavam em dietas malucas, em tomar remédios, Shakes, enfim, tudo que fosse me deixar mais magra. 


E durante um tempo eu deixei de viver pra me dedicar a isso.
Neste post incluí fotos de um diário, que fiz pra escrever sobre meu dia, e quando parei pra ler, 15 anos depois, vi que só tinham dietas, exercícios, receitas, desabafos sobre as "jacadas", uma rotina interminável de fórmulas de perda de peso.
Eu tenho muitas memórias de coisas legais que fiz na adolescência, mas nada registrado, porque meu foco era me manter magra, o mais magra possível.
A minha preocupação era registrar que eu não poderia ter fome, que eu não podia ceder.
Esse diário me trouxe uma certa tristeza, mas ao mesmo tempo uma sensação de alívio, de ter conseguido escapar da teia do padrão imposto.
Eu pensei em queimar, me livrar dessa agenda pra me livrar dessa parte do passado, mas foi necessário esse tipo de situação pra eu ser a pessoa esclarecida que sou hoje. 







Gorda sim, mas bem mais feliz e mais confiante e pasmem, mais saudável.
Se passaram 15 anos. Eu já engordei uns 30, 40 kgs de lá pra cá.as só consigo enxergar o quanto sou mais feliz comigo agora.




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32 anos, Ariana, feminista, problematizadora, saúde mental abalada. Apaixonada por maquiagem e mãe de uma garota incrível e de 3 pets mimados. Espírito livre porém nem tanto.

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