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nós por nós

Um diário compartilhado entre duas irmãs



      Vivemos em tempos que o valor de um lacre é maior que a empatia entre as pessoas.
      Uma época em que as mídias sociais, locais de interação e troca de experiências se tornaram campos de divisão.
       Machistas contra feministas, ou como eles chamam, feminazis. Héteros contra homossexuais, conservadores contra radicais ou modernistas, esquerda contra direita, e por aí vai.
       Diante de toda essa pseudo revolução, onde o mais importante é sair por cima, provar por a+b que o outro era errado, temos nos esquecido do quanto o outro, mesmo pensando diferente da gente, merece respeito, e o quanto este tem o direito de se expressar. Mesmo que você julgue ofensivo, errado, de cunho violento. Todo cidadão tem direto a liberdade de expressão.
       Perdemos tanto tempo em discussões sobre quem ou o quê é o melhor, que perdemos a empatia, o tato, a audição.
       Sendo mais clara, nós, que escolhemos passar por um processo de desconstrução, de desapego do modelo de sociedade e cultura que nos foi passado a cada geração, não podemos esquecer que está desconstrução é pessoal. E que, principalmente, não pode ser imposta ao outro.
       Não se sai de um padrão instituindo outro. Não deixamos de ser oprimidos sendo opressores.
       Toda discussão de temas polêmicos, como o feminismo em si, machismo, patriarcado, racismo, homofobia, gordofobia, é valida e necessária. Porém, há formas de se conduzir, de ser didático com o próximo.
      Quando entramos em fóruns com a intenção de ridicularizar o outro, estamos reforçando os esteriótipos dos movimentos.
       Veja bem, você não é obrigado a ensinar ou desenhar nada pra ninguém, mas você pode argumentar de forma que a pessoa se sinta curiosa com a proposta da sua militância, e quem sabe até procure mais informações.
       Lacre não desconstrói esteriótipos, preconceitos, injúrias.
       Temos muito mais a oferecer ao mundo, e às pessoas também.
       Manter a empatia é manter o mínimo de respeito pelo próximo, sem comprometer a nossa sanidade mental.
        Pegar o modelo que julgamos opressor de uma sociedade, impor outro e chamá- lo de desconstrução é mais uma forma mascarada de opressão.



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Uma pausa no tempo, nos assuntos recentes porque hoje quero compartilhar mais uma história pessoal. Mas dessa vez, uma boa história.
Eu sempre tive problemas com ansiedade e pânico. E eu sempre "segurei essa barra" sozinha, me fazendo de forte. Sabia qual seria a reação da família. Seria uma frescura da minha parte, algo que eu inventei.
E dentre essas pessoas, desacreditadas de mim, encontrei apoio em quem eu jamais achei que encontraria.
Minha irmã, tão mais nova que eu, embora madura e responsável, ela não era a mais amável das criaturas.
Mas como ela evoluiu. Deus, como ela mudou. Como seu coração se mostrou infinitamente bondoso e misericordioso até com quem a magoou.
De lá pra cá, nos tornamos tão amigas. Tão cúmplices. Tão ligadas. E finalmente descobri aquela coisa de amor entre irmãos. Não que eu não amasse os outros, mas não há ligação.
Juntas tivemos conversas que ajudaram no processo de desconstrução, de aceitação, de amor próprio uma da outra.
Todos os dias de manhã, ela me manda mensagens motivacionais pra que eu fique bem.
E isso fez uma enorme diferença na minha vida.
Ela me ajudou a me sentir mais segura, menos arrogante, mais confiante sem prepotência.
E hoje é o aniversário dela. E eu não consigo pensar em desejar nada a ela, além de continuar. De seguir esse caminho, de permanecer, de resistir, de viver ao invés de sobreviver. De se encontrar, de ser. De não ser guiada.
E me ocorreu em dividir isso tudo, num blog público, num texto simples e sem muita pretensão que é importante ter alguém.
Ter alguém em quem se possa confiar, em quem se possa estar, em que se possa dividir.
Ter alguém pra só segurar sua mão. Só estar ali, mesmo que não esteja tão perto.
E principalmente, se você lê essas postagens pra tentar lidar com a sua ansiedade, que você entenda que precisa e que pode pedir ajuda. Que você realmente não está sozinho. Não estamos.
E que juntos somos mais fortes.
E pra finalizar, brevemente quero agradecer então pela vida e pela pessoa MARAVILHOSA que você, minha irmã, se tornou.
Felicidades.
Amo você.

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Aqui expusemos nossas dores para que você saiba que não está só, esse blog é feito de relatos que podem ser gatilho para algumas pessoas, por isso pedimos que se estiver passando por algum problema, procure ajuda de um profissional.

DESIRRE

32 anos, Ariana, feminista, problematizadora, saúde mental abalada. Apaixonada por maquiagem e mãe de uma garota incrível e de 3 pets mimados. Espírito livre porém nem tanto.

JOY


23 anos, leonina, confeiteira e design gráfico nas horas vagas. Impaciente e gado da minha namorada.

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