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Um diário compartilhado entre duas irmãs

Uma vida...
Frustrações e mentiras, meios de se esconder
Tudo isso a fim de tentar SER!
Veste saia e pinta a cara
Vai pra igreja e reza
Pede ao Pai que seja uma fase
Chora e guarda pra si o que preza.
Relaxa, é só uma amiga...
Fica com caras
Inventa amar alguém para não ter que explicar
Mascara o jeito de andar e até falar
Finge ser outra pessoa
Não vamos decepcionar
Olha ao redor e vê o caos
Não dê motivos para desgosto
Seja perfeita e não oposto
Você já tentou e falhou.
Todos estão ocupados,
Se vira sozinha
Chegou o grande dia,
Contar para mundo que ela ama “Maria".
O mundo acaba e o chão se abre,
Olhos tortos e mentes assustadas
Perguntam-se qual o erro ao criá-la
Mas o erro nunca existiu
Olhos fechado para não ver a verdade
O medo a fez fugir da realidade
Levou pra bem longe
Mas hoje ela voltou e recomeçou
Vestiu sua melhor roupa e resolveu assumir
Ela ama “Maria”.

-  Joyce de Araújo Netto


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Essa noite foi difícil.
Ela voltou.
Estava animada, renovada.
Chegou sem avisar. Eu não esperava.
Chegou com perguntas difíceis de responder. Trouxe dúvidas para questões esquecidas.
Colocou os pés pra cima, me pediu pra servi-la, tirou tudo do lugar.
Logo hoje, eu acabei de faxinar.
Foi uma noite longa. E é assim que ela me faz sentir.
Como se fosse uma visita inesperada, de alguém de quem a gente não gosta, daquele tipo que tira a paz.
Ela é exatamente isso.
Eu ouvi canções que ela não gosta. Pensei em coisas legais que ela não aprova.
A deixei sozinha em vários momentos.
Queria que ela visse o quanto não é bem vinda. Mas ela é insistente.
Passou a noite aqui.
Eu não lhe dei colchão ou cobertor.
Não lhe dei sofá nem amor.
O dia amanheceu. E ela está ali...
Me olhando com os olhos de quem diz "você não tem como fugir".
A espreitar uma oportunidade de prolongar sua estadia.
Veio me dizer bom dia.
Eu disse aqui não.
Aqui pra você não tem estadia.
Aqui você não faz morada.
Aqui não é sua casa.
Aqui você não se cria.
Ansiedade, você não é bem vinda.


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Eu já começo esse post falando o que resumiria essa minha indignação do dia: eu detesto o discurso de mulher padrão que tem problema com a sua imagem criando um discurso gordofobico.
Com essa era digital, e todas essas mulheres maravilhosas usando as redes sociais como instrumento de trabalho é muito fácil você rolar o feed do Instagram e se sentir um lixo.
São mulheres que aparentam ser perfeitas, sempre lindas, arrumadas, magras, saudáveis, sem contas atrasadas ... E a gente pode ter a cabeça mais trabalhada, pode fazer terapia há 5 mil anos que uma hora ou outra, a insegurança com seu corpo vai bater, não tem jeito.
O problema é quando a gente passa a admirar tanto essas pessoas, a desejar ser outra, que acabamos esquecendo do quão maravilhosas nós também somos. É um outro problema maior ainda é quando essas mulheres, de corpos normais, magros e padronizados usam suas redes como diário e choram por conta de 1,2 ou de 3kgs que ganharam, aqueles quilos que parecem gramas, que não fez diferença nenhuma naqueles corpos, mas que elas choram, como se fossem obesas mórbidas que perderam seus trabalhos, mobilidade e autoestima.
E por que é um problemão esse discurso? Porque essas mulheres são influenciadoras e deusas para milhares de crianças, adolescentes e adultos.
Um discurso desse tipo, esse sofrer de uma mulher de 50kg por "estar gorda" pode desencadear uma distorção de imagem em pessoas que já são magras e tem essa tendência e insegurança com seus corpos, bem como pode desencadear distúrbios alimentares em quem está acima do peso ou obeso.
Quando se assume esse papel de trabalhar com mídia é preciso um cuidado com as pessoas que estão recebendo aquele conteúdo. Claro, voce não é responsável pela saúde de uma pessoa que nunca sequer viu, mas é responsável por tudo que vc fala, escreve ou posta. E isso deve ser feito com responsabilidade.
Justamente por isso a maioria dos profissionais estudam anos. Pra ter base, conhecimento, experiência em determinados assuntos.
Se você não tem formação não fale sobre o tema. Se você não quer ter o trabalho de se policiar em assuntos que mexem com a vida e a saúde de outras pessoas, com o bem estar e a autoestima delas, não seja essa pessoa.
E você, leitor e seguidor seja mais questionador, busque informação. Não saia fazendo experiência com sua saúde porque viu um Instagram indicar um remédio pra perder o apetite, ou uma dieta nova.
Busque o equilíbrio. Em tudo.
Busque representatividade, busque profissionalismo quando o assunto for a sua alimentação, seu físico e seu emocional.
O equilíbrio é a chave da vida.



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Quando eu comecei a usar a internet para me expressar, para transmitir ideias, dicas e experiências para as pessoas não conhecia outro caminho senão o da beleza.
Dicas de maquiagem, cabelo, moda e afins, eram os assuntos principais do meu primeiro blog. Minha paixão por maquiagem, pelo poder e pela polida que ela nos dá na autoestima foram o meu primeiro passo para transmitir um pouco de conforto às pessoas que tinham problemas com a imagem.
Acredito que essa vontade de fazer as pessoas se sentirem melhores com sua aparência foi o que de fato me incentivou a começar a trabalhar como maquiadora.
E isso tudo, era só pra dizer que eu não imaginava que estaria um dia falando sobre a beleza interior, sobre a beleza de estar bem.
Em uma outra vez, cheguei a comentar o quanto já fiz e já lutei pra sempre estar no padrão, e o quanto isso me fazia infeliz.
É estranho, mas antes, magra, mostrando minha barriga lisa em um jeans 36 aos 17 anos eu não me sentia satisfeita, plena como hoje, aos 29 e sem usar um jeans há pelo menos 2 anos, num manequim 52.
Eu vivia de dietas, remédios, jejuns, contas mirabolantes de calorias. Isso aos 12 anos. E eu não pesava nem 50kg.
Lembro até hoje a primeira vez que me senti gorda. Me pesei perto do meu namorado. Eu estava com 16 anos, 1,65 m a altura que tenho desde os meus 12 anos, 62kg. E tinham mais algumas pessoas com a gente, que se espantaram com meu peso. Fui comparada com ele, que tinha 1,82 e 56kg.
Hoje fico pensando que talvez a preocupação deveria ser inversa. Mas na época foi duro. Eu comecei a me ver gorda.
Muitas vezes me sentia insegura. Sempre escondendo e me apertando com cintas durante o dia, pra quando saísse estivesse mais curvilínea e com tudo no lugar.
Eu era tão boba.
Tão boba que quando pulei do 36 para o 40 quis me esconder. Logo vieram as férias e bum, pulei do 40 para o 44.
Do 44 para o 46 foram semanas apenas.
Depois da gravidez então, me matava pra comer pouco, dar de mamar pra minha filha várias vezes só pra perder os 32kgs da gravidez. Eu queria voltar para o 36.
Tinha uma calça guardada e tentava entrar nela toda semana. Toda semana eu tinha essa frustração.
Eu tomava tudo que diziam que emagrecia. Já sabia de cor os nomes dos remédios pra ansiedade e moderador de apetite.
Mas depois da gravidez não conseguia mais voltar.
Com o tempo o manequim foi aumentando. E os comentários também.
Era difícil encontrar pessoas conhecidas, elas só falavam do quanto eu tinha engordado.
Mas um dia eu me olhei no espelho. Olhei cada pedacinho de mim. E me abracei.
Ouvi em algum lugar dentro de mim que era possível ser gorda e ser feliz.
Deixei de abominar a palavra gorda, e passei a vê-la como só mais uma característica. Foi difícil. Ainda é.
Mas hoje eu consigo me olhar e sorrir. Consigo ouvir sobre meu peso e não desejar a morte.
Consigo sair e viver normalmente, sem me preocupar com o sol na minha perna mostrando a celulite, com a luz do quarto acesa, com o tamanho da roupa que pego numa loja.
As vezes bate uma bad que me faz querer mudar e que tenta me arrastar de volta pra esse passado de angústia e falta de amor. Mas eu não deixo que isso me domine por muito tempo.
Não pense que sou iludida. Não pense que faço apologia à obesidade e que não sei que é uma doença grave, que mata.
Mas o primeiro passo pra uma vida mais leve, mais feliz é com certeza o amor próprio.
A saúde é importante. A sanidade também.
E a beleza está nos olhos de quem vê, de quem sente, de quem saboreia a vida.
Ser bonita é ser livre, é se respeitar, se amar.
Você já experimentou se amar hoje?



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AVISO - GATILHOS

Aqui expusemos nossas dores para que você saiba que não está só, esse blog é feito de relatos que podem ser gatilho para algumas pessoas, por isso pedimos que se estiver passando por algum problema, procure ajuda de um profissional.

DESIRRE

32 anos, Ariana, feminista, problematizadora, saúde mental abalada. Apaixonada por maquiagem e mãe de uma garota incrível e de 3 pets mimados. Espírito livre porém nem tanto.

JOY


23 anos, leonina, confeiteira e design gráfico nas horas vagas. Impaciente e gado da minha namorada.

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