Tem aqueles dias que não quero nada.
Tem aqueles dias que quero resolver o problema da paz mundial.
Tem que aqueles dias que quero por tudo em ordem, mas pensar em fazer me deixa mal por não conseguir fazer, e me impede de tentar.
É uma vida cheio de excessos.
De passado, de futuro, de presente.
De passado porque tudo que já fiz um dia, hoje é posto em cheque. É questionado se foram as melhores decisões, e se fossem diferentes o quanto meu presente seria diferente.
Ao mesmo tempo chega o pensamento do 'se', que me faz pensar sobre tudo que ainda não aconteceu, que poderia acontecer ou não, como as decisões afetariam esse futuro, como as decisões diferentes dessas transformariam tudo.
E chega o presente.
Ele chega e me dá uma rasteira mostrando que o passado já foi, que não pode ser alterado, que não adianta pensar, que não existirá futuro porque não consigo seguir, não consigo sair do lugar.
Tudo ao mesmo tempo.
Três círculos de tempo, girando, cada um em uma direção. Mas nada sai do lugar.
Eu não saio do lugar.
São três vozes falando do fracasso de uma mente que não descansa.
São três vozes ecoando, em níveis diferentes o quanto seria melhor desistir e simplesmente sumir.
São mais três vozes tentando me convencer de que nada do que já fiz teve sentido, ou nada do que eu faça será importante ou suficiente para mudar. Me mudar.
São excessos.
De passado, presente, futuro.
São anos acumulando pedaços de outras pessoas, tentando montar um quebra cabeças infinito, sem sentido.
São pedaços.
Peças que não se encaixam.
São dores.
São dias sem cor. Ou dias saturados.
São excessos.
São acúmulos.
E eu tenho medo de não conseguir mais me achar.

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