Cada volta é um recomeço
Eu tenho 10 minutos nesse momento.
Tempo que eu queria muito que não me deixasse tão aflita.
Um dia normal, sem grandes coisas pra fazer. Mas cada minuto parece um martelo batendo incessante na minha cabeça. Uma voz sussurra lá longe "você precisa fazer alguma coisa"... Junto com essa voz outra grita "você não consegue", outra ainda mais forte ri num tom mais alto, debochando. Bem distante disso, uma voz suave, baixa e tranquila tenta ganhar força repetindo "respira, você consegue. Acredite!".
Parece coisa de louco não é?
Mas é assim que uma crise de ansiedade começa. Num dia normal ou num dia cheio. Com tarefas ou nada pra fazer.
A ansiedade não faz escolhas.
Ela só chega e senta ao seu lado, te olha nos olhos e faz teu mundo girar até você se sentir nauseado.
Ela vem e tira teu chão, tuas paredes, tua proteção. Sua confiança e credibilidade cai mais que temperatura no pólo norte. Fica mais negativa que minha conta no banco.
Não contente, ela quer testar seus limites.
Ela vai te fazer chorar, rir, implorar, pedir misericórdia, vai te fazer sentir fome, sede, sono, insônia, cansaço tudo ao mesmo tempo. É uma amostra da insanidade.
Você vai mudar de temperatura, de lugar, de humor, em segundos. Você experimentar todas as sensações ao mesmo tempo, e não vai saber o que está sentindo.
E há quem diga que é moda, frescura.
Me responde: quem em sã consciência escolheria estar dentro de um tornado?
Hoje falamos abertamente sobre o assunto. Mas eu me lembro do quão era banalizada a ansiedade quando eu tinha meus 11 anos e comecei a apresentar os sintomas.
Quem escolheria sofrer de um mal que não tem cura, que não tem causa aparente?
Eu tomei decisões pra conseguir conviver com essa doença, faço até um café quando ela chega.
Mas se houvesse uma escolha, sem pensar muito, eu a deixaria e não olhava pra trás.

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