Beleza e Sanidade

by - quarta-feira, setembro 06, 2017

Quando eu comecei a usar a internet para me expressar, para transmitir ideias, dicas e experiências para as pessoas não conhecia outro caminho senão o da beleza.
Dicas de maquiagem, cabelo, moda e afins, eram os assuntos principais do meu primeiro blog. Minha paixão por maquiagem, pelo poder e pela polida que ela nos dá na autoestima foram o meu primeiro passo para transmitir um pouco de conforto às pessoas que tinham problemas com a imagem.
Acredito que essa vontade de fazer as pessoas se sentirem melhores com sua aparência foi o que de fato me incentivou a começar a trabalhar como maquiadora.
E isso tudo, era só pra dizer que eu não imaginava que estaria um dia falando sobre a beleza interior, sobre a beleza de estar bem.
Em uma outra vez, cheguei a comentar o quanto já fiz e já lutei pra sempre estar no padrão, e o quanto isso me fazia infeliz.
É estranho, mas antes, magra, mostrando minha barriga lisa em um jeans 36 aos 17 anos eu não me sentia satisfeita, plena como hoje, aos 29 e sem usar um jeans há pelo menos 2 anos, num manequim 52.
Eu vivia de dietas, remédios, jejuns, contas mirabolantes de calorias. Isso aos 12 anos. E eu não pesava nem 50kg.
Lembro até hoje a primeira vez que me senti gorda. Me pesei perto do meu namorado. Eu estava com 16 anos, 1,65 m a altura que tenho desde os meus 12 anos, 62kg. E tinham mais algumas pessoas com a gente, que se espantaram com meu peso. Fui comparada com ele, que tinha 1,82 e 56kg.
Hoje fico pensando que talvez a preocupação deveria ser inversa. Mas na época foi duro. Eu comecei a me ver gorda.
Muitas vezes me sentia insegura. Sempre escondendo e me apertando com cintas durante o dia, pra quando saísse estivesse mais curvilínea e com tudo no lugar.
Eu era tão boba.
Tão boba que quando pulei do 36 para o 40 quis me esconder. Logo vieram as férias e bum, pulei do 40 para o 44.
Do 44 para o 46 foram semanas apenas.
Depois da gravidez então, me matava pra comer pouco, dar de mamar pra minha filha várias vezes só pra perder os 32kgs da gravidez. Eu queria voltar para o 36.
Tinha uma calça guardada e tentava entrar nela toda semana. Toda semana eu tinha essa frustração.
Eu tomava tudo que diziam que emagrecia. Já sabia de cor os nomes dos remédios pra ansiedade e moderador de apetite.
Mas depois da gravidez não conseguia mais voltar.
Com o tempo o manequim foi aumentando. E os comentários também.
Era difícil encontrar pessoas conhecidas, elas só falavam do quanto eu tinha engordado.
Mas um dia eu me olhei no espelho. Olhei cada pedacinho de mim. E me abracei.
Ouvi em algum lugar dentro de mim que era possível ser gorda e ser feliz.
Deixei de abominar a palavra gorda, e passei a vê-la como só mais uma característica. Foi difícil. Ainda é.
Mas hoje eu consigo me olhar e sorrir. Consigo ouvir sobre meu peso e não desejar a morte.
Consigo sair e viver normalmente, sem me preocupar com o sol na minha perna mostrando a celulite, com a luz do quarto acesa, com o tamanho da roupa que pego numa loja.
As vezes bate uma bad que me faz querer mudar e que tenta me arrastar de volta pra esse passado de angústia e falta de amor. Mas eu não deixo que isso me domine por muito tempo.
Não pense que sou iludida. Não pense que faço apologia à obesidade e que não sei que é uma doença grave, que mata.
Mas o primeiro passo pra uma vida mais leve, mais feliz é com certeza o amor próprio.
A saúde é importante. A sanidade também.
E a beleza está nos olhos de quem vê, de quem sente, de quem saboreia a vida.
Ser bonita é ser livre, é se respeitar, se amar.
Você já experimentou se amar hoje?



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